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sexta-feira, 26 de agosto de 2011

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Acho que vou pedir uma indemnização por danos morais irreparáveis

Há coisas que tomamos como garantidas na vida. Uma delas é que trolha que é trolha bebe bejecas, minis, come tremoços e amendoins, fuma e usa camisola de cavas.

Pois que os 'meus' trolhas até fumam (pelo menos um deles). Contudo, não usam camisola de cavas e outras indumentárias típicas. Alguns até andam muito aprumadinhos e perfumados (mas também me parece que são os que menos 'dão o litro').

E no que toca à bela da cerveja e ao belo do tremoço, nada, nicles, rien. Até vêm munidos de garrafas de água de litro e meio. Sim, porque eles vêem os anúncios e sabem que o corpo deles tem cerca de 70% de água.

Agora, do que eu não estava mesmo à espera era que o lanche deles fosse uma considerável porção de (atentem bem, senhores!)... cerejas! A vermelha, saudável, saborosa, anti-oxidante e vitaminada CEREJA. Uma pessoa, ao ver aquilo, até fica sensibilizada, mas não deixa de ser sentir um bocadinho... assim... como que... defraudada. É que já não se fazem trolhas como antigamente. :p

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Nuvem(ns) negra(s)

Nas cordas, a secar, duas protecções de colchão.
Começa a pingar e eu, claro, vou a correr tirá-las.
Pára de chover.
Volto a pôr as protecções lá fora.
Começa a pingar.
Pinga mais.
Não dá. Levo as protecções de novo para dentro.
Pára de chover.
Mau! Alguém anda a gozar comigo!

Solução: ficou uma lá fora (a que ainda estava algo molhada; mas por mal ficas lá fora...) e a outra veio para dentro (a que estava praticamente seca).

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Um sucesso cá em casa

Sveltesse Fondant Leite Creme. Ela diz que gostava de comer dois iogurtes destes seguidos. Só um sabe a pouco. :) É mesmo minha filha... Apesar de não o dizer, penso sempre o mesmo! E que tal fazerem uns destes em tamanho XL?

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Porquê algodão quando pode ter seda?!

Quis experimentar o McFlurry Magnum Brownie, da McDonald's. E foi uma decepção... Nada do que estava à espera. Nem a parte do 'Magnum' nem a parte do 'Brownie' me convenceram. A vantagem da coisa são as calorias a menos que vou ingerir. ;)

Agora este, este sim. O Swirl da Olá 'à minha moda' é uma perdição. Dos cinco ingrediente à escolha, pois que escolho todos brownies, excepto um - morangos. Isto significa desfalcar a banca das funcionárias de brownies. E como cá em casa todos são fãs da 'receita', potencialmente significa desfalcar todo o distrito de brownies. À minha conta,, qualquer dia afixam lá um aviso [qualquer coisa como 'é proibido açambarcar'], estou mesmo a ver. :P


segunda-feira, 18 de julho de 2011

On sale


Na passada sexta-feira começaram os saldos de Verão. Já desisti de correr a eles no primeiro dia. No Inverno até compensa fazer essa corrida, se o objectivo for 'atacar' os casacos, peças mais caras e sempre necessárias. Vai-se directamente a eles.:)

Agora, no Verão, espero facilmente vários dias ou mesmo algumas semanas (um par delas, vá) para mergulhar nos ditos. Evito as confusões, encontro preços (ainda) melhores e, por vezes, até já vou vendo o que é que posso aproveitar na estação seguinte (já que depressa vão aparecendo os avanços de época, na lojas, e dá para tirar ideias).

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Inhale, exhale

Estive a ver o meu blog antigo. E que saudades tenho dele! De tudo. Dessa época, desse 'mundo', das bloguistas às quais perdi o rasto, da partilha, dos registos que perduram, das dicas, das opiniões.

Hoje mudei o look do actual blog. Quis aproximá-lo do antigo. Sinto-me mais em casa. É clean, como gosto. Aqui respira-se. Aqui consigo pensar.

O ticker da idade da M. vai ficar sempre aquele, com as flores e a borboleta. É a minha referência ao blog antigo, ao 'mundo' antigo. E acho-o, sempre o achei, muito bonito.

Uma coisa é [mesmo] certa: sou muito mais blogger do que facer.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Diz que o Natal é quando um homem quiser.

Pois parece que por aqui o 'homem' quis que fosse desde meados de Novembro até meados de Janeiro. O que me vale são as quantidades industriais (mesmo!) de exercício que tenho feito; caso contrário, em vez que estar a escrever isto, estaria neste preciso momento a enviar SMS de candidatura ao Biggest Loser da SIC. :P

Já não posso com ovos e ovinhos Kinder, Ferreros, bonecos das mais variadas espécies feitos de chocolate, gomas, calendários do advento, pastilhas elásticas e afins... Neste ano não há Páscoa, ok?;)

Na Árvore de Natal (a correr como é costume, só vai ser desmontada lá para o Carnaval, estou mesmo a ver :S) ainda subsistem bonecos de neve e bolas/pinhas de chocolate. E tudo comprado por quem? Moi même!:S Não aprendo... ;)

Conclusão, no próximo Natal só compro Mon Chéri e Ferreros de coco. Como detesto ambos, posso bem com eles! LOL

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Nap time

Não acho muito normal que adormeça praticamente sempre que vou ao dentista, mas, pronto, consigo viver bem com isso. :P


Até chego a considerar 'divertido' lá ir. Pode? Sei que a Medicina Dentária evoluiu muito nos últimos tempos, mas tanto? LOL

[Isto acontece quer precise de anestesia - o que é raro acontecer - quer não precise, por isso não tem a ver com 'factores' externos. ;)]

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Maria vai com as outras

Quando (quase) toda a gente começou a migrar dos blogues para o Facebook, pensei que poderia ser apenas algo transitório, fugaz, rapidamente esquecido e abandonado. Não foi.

Acabei por me registar no FB mas sem lhe dar grande uso, pois a verdade é que nada percebia daquilo. E não gostava. Desisti. Porém, eram cada vez mais os blogues que fechavam ou que estagnavam porque os respectivos autores começaram a preferir o FB.

Lá tive de tentar outra vez aderir à 'rede' e é o que tenho feito nos últimos tempos. Não posso dizer que goste muito. Gosto apenas. Continuo a preferir os blogues, um conceito que, para mim, é muito diferente, para melhor. Agora estou mais 'a leste' do que se passa nos blogues, com muita pena minha, mas é difícil acompanhar um mundo e o outro. E, depois, há aquelas pessoas que devem estar pelo FB mas não sei que lá estão. Porque não há referência ao blogue que têm ou tiveram.

Entre blogues que fecharam, blogues que foram privatizados, blogues estagnados e migrações para o FB perdi muitos contactos, mais uma vez com muita pena minha. Por isso, se cá passarem ou se me encontrarem no FB digam alguma coisa! Adicionem-me ou peçam-me para adicionar. :)

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Venham mais, venham, sem medos

Há pouco tempo (bem pouco), respondi a um questionário, com algumas páginas, enviado pela Uriage. Prometia a marca que me enviaria um Creme Lavante e um Gel Desinfectante. Só tive de pegar num envelope, colocar um selo e enviá-lo. E hoje recebi o 'prémio'.

É assim mesmo, uma mão lava a outra (literalmente e com o belo do produto Uriage)! ;) Fiz a minha parte e, agora, a marca fez a dela. A verdade é que os produtos são mesmo excelentes. O creme lavante tem 1/3 de leite nutritivo, deixa a pele realmente hidratada e tem aquele cheirinho único (que agrada sem intoxicar como alguns que há por aí).

[Era uma aguinha termal em spray aqui para a je, pela PUB. :P]

terça-feira, 27 de julho de 2010

O trio maravilha

O trio maravilha: alerta vermelho, ventania de pôr os estores a dançar que nem tolos e cinzas a entrar pelas janelas durante a noite tornando o ar irrespirável. Era uma mudança de cidade, já, para esta mesa, p.f.

Bem que tentei dormir com a janela e o estore semi-abertos, mas acordei várias vezes devido ao vento. E, depois, com o cheiro a cinzas, que não me deixava respirar. Estore e janela fechados, lá fiquei a dormir num forno. Bah!

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Smart TV

À noite pedalo na estática enquanto assisto a 'The Biggest Loser'. Há lá melhor incentivo? ;)

Nos dias em que não dá, pedalo na mesma, enquanto vejo outro programa. O televisor é lindo :P, distrai-me. Anteriormente, ficava no sofá, na engorda, sem me mexer, estática eu própria. Agora, troquei as voltas todas, e junto o útil ao agradável.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Se alguém me encontrar,

devolva-me à procedência, p.f.

O meu marido diz que desde que o M. nasceu nunca mais fui a mesma, não sendo isto um elogio.
Infelizmente, é verdade. Há quase três anos que me sinto como se estivesse a suster a respiração. Não consigo desfrutar os meus filhos, nem um nem outro.

Acho que o facto da M. ter nascido primeiro ainda veio tornar tudo mais difícil. O meu marido diz que não. Eu acho que sim. Ficámos mal habituados. A M. é, sempre foi, uma força da natureza, muito independente, aprendeu (quase) tudo sozinha. Teve sempre um desenvolvimento muito linear, admito que nunca tivemos de nos esforçar muito. É difícil lidar com essa força toda, essa independência toda, a teimosia, o ego, mas o resto é, sempre foi, muito fácil.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Em piloto automático

Gostava de adormecer e só acordar quando o meu filho falar (o que significaria vê-lo mesmo bem).

Eu sei que há situações muito mais complicadas, que há milhões de pessoas a morrer à fome e que houve um terramoto catastrófico, mas não consigo ficar mais feliz ou menos infeliz por causa disso. O que se passa aqui pode nada interessar à humanidade, mas está a dizimar-me.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Anatomia de Papá

O M. e a M. voltam hoje de uns dias de férias. Uma espécie de férias forçadas, porque o papá foi operado ao nariz da terça-feira e está a recuperar.

A operação correu bem, mas o pós-operatório está a ser mais difícil do que o esperado, já que além da remoção de sinéquias e de dois pólipos, acabou por ter de fazer também a correcção do desvio do septo (não estava previsto, porque o devio não era significativo, mas teve de ser, senão o médico não conseguia chegar às sinéquias).

Hoje, o papá já foi ao otorrino para remover umas enormes esponjas que lhe tapavam o nariz todo e o impediam de respirar. Espero que agora, finalmente, comece a conseguir comer. Para a semana, vai remover o silicone do lado esquerdo, e uma semana depois vai remover os dois silicones do lado direito. Só espero que depois de isto tudo, fique com o problema resolvido!

Parece que hoje dá o último episódio da Anatomia de Grey. De certeza que não o vou conseguir ver, deixo para amanhã. Para quem ficar triste porque está no fim e que saudades que vai deixar e ai que gostava tanto de ver os Mc não sei quê e tomara que haja mais uma série e ai que tristeza como é que eu vou arranjar uma série que me faça chorar assim e blá blá blá... Não se preocupe porque tem sempre: o meu blog! É que não há meio de falar noutra coisa aqui, é só médicos, exames, medicamentos, cirurgias e afins. Xiça... :S
[E eu nem conto tudo. Ainda hei-de postar sobre o resto, mas aviso já que é assunto que nunca mais acaba. Acho que há médicos com menos experiência que eu em pediatria e otorrinolaringologia. Sinceramente, já merecia um doutoramentozinho Honoris Causa ou então podiam convidar-me para cronista/crítica na área de medicina, podia ter uma coluna num semanário qualquer e opinava e atribuía estrelas de uma a cinco aos médicos e às instituições. :P]

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Objectivo cumprido

Hoje fui fazer a minha inscrição de dadora voluntária de medula óssea. Finalmente consegui ir ao encontro de uma brigada do Centro de Histocompatibilidade do Norte, e lá preenchi o inquérito e fiz a colheita de sangue. A enfermeira, novita, tinha mãos de fada, já que senti absolutamente nada!

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Já não posso com médicos, exames, análises e outras coisas assim giras

ou
Eu até gosto de ver as séries que se passam em hospitais e tal mas isto já enjoa.
ou
Aqui vai mais um testamento, podem ir lendo durante as férias ou ao deitar para adormecer.
ou
Isto é mais para organizar as minhas ideias, que já não sabem bem onde encaixar.
ou
Sinto-me como se tivesse ganho o Euromihões mas ainda não tivesse levantado o prémio.

Sobre o exame dos potenciais evocados:

Fizemos uma longa viagem com o M. a querer dormir e eu, no banco de trás, a não o deixar fazer. Chegámos ao destino, esperámos, entrámos para a sala de exames, eu e o M.

O pai e a mana ficaram à espera, foram à discoteca ver CDs e lancharam bolas de Berlim e outras coisas do género. (Mais uma vez, ironicamente,) na pastelaria onde, há quase seis anos atrás, fomos lanchar antes de levar da maternidade, para casa, uma bebé com seis dias, depois de um período de internamento muito complicado. Isto tudo enquanto aqui a mãe estava aflitinha para ir ao WC, cheia de fome e sede, e a tentar adormecer uma criança irrequita, cheia de sono mas com mais vontade de explorar do que de dormir.


O M. fugia-me levando o termo do biberão de leite com ele. Queria ver os consultórios e andava à procura da assistente da Dra. que fez o exame. Lá peguei nele para beber o leite e ele disse 'titi!' (quando quer, fala) quando eu estava a abrir o termo. Depois, queria mais brincadeira, claro. Brincou com aquelas argolas de enfiar tipo pirâmide. As maiores lá ia pondo, mas chegando às mais pequenas, mais confusas, não fazia correctamente. [E como eu gosto que ele não faça tudo correctamente e em cinco segundos. Preocupava-me é que fizesse esse tipo de jogos com uma perna às costas, quando não liga patavina à linguagem.] Corrigia-o e dizia-lhe qual era a argola seguinte, e ele tirava a que tinha posto e punha a correcta. Mas isto durou pouco porque ele queria era 'laureá-la', nem pensar em sossegar e adormecer. Por isso, a medida drástica (para evitar uma anestesia geral) foi colocá-lo no carrinho de passeio e embalá-lo (com o sono que estava, sabia que ia adormecer depressa e profundamente). Assim foi, quer dizer não foi muito depressa que ele queria sair de lá, mas até correu bem.


O exame ainda foi longo, mas o M. cooperou. Quando parecia estar a despertar, embalava-o e voltava a ficar quieto. Tinha fios pela cara toda (bochecha, atrás das orelhas, etc.) e dentro dos ouvidos.


A meio do exame, fiquei muito tensa, porque a Dra. olhava para a assistente e fazia uma expressão pouco animadora. Depois, pedia-lhe que visse se os auscultadores estavam bem colocados nos ouvidos, pedia-lhe que os ajeitasse, e a assistente dizia que estavam bem. Parecia que alguma coisa estava mal.


No fim percebi o que era. É que, pelos vistos, a Dra. já tinha falado ao telefone com o otorrino ou com alguém da parte dele. E recomendou (como já me tinha dito a mim) que o exame só fosse feito um a dois meses depois da cirurgia, para que os resultados fossem fidedignos. Mas como o otorrino suspeitava que houvesse uma lesão neurossensorial, queria saber já para poder colocar próteses rapidamente. Assim, o exame foi feito pouco mais de uma semana depois da cirurgia, pelo que o exame acabou mesmo por ser influenciado pelos efeitos da cirurgia, mas sem grande relevância para o que queríamos avaliar.

A Dra. tranquilizou-me logo e disse que não há surdez neurossensorial. Isto foi claro no exame. Aí descomprimi. Disse que colocou no relatório que existe uma surdez ligeira a moderada (mas que o moderada quase que está a mais, porque só há um valor numa frequência que está a esse nível), por isso basicamente é ligeira. Trata-se de uma surdez de transmissão e, segundo ela, vai normalizando à medida que o tempo vai passando. Disse que faz colocação de próteses e que nunca recomendaria a sua colocação a uma criança com um exame daqueles, porque os valores alterados são consequência da cirurgia ser recente e o ouvido ainda não estar a 100%. Disse-lhe que o M. ainda coçava muito as orelhas (agora já o faz menos) e que o otorrino justifica como sendo os tubinhos que causam alguma impressão/comichão. Ela concordou e disse que isso é um sinal de que ainda não está tudo restabelecido e que um exame daqueles nunca devia ser feito antes de 15 dias após a cirurgia, mas que o melhor era um mês, idealmente mais ainda. Disse que podíamos repetir o exame mais tarde mas que não acha necessário, que no nosso lugar não pensava mais nisso, e que se fosse necessário falava com o otorrino para lhe explicar as suas conclusões. Já falei com o otorrino ao telefone e ele concorda com a Dra., também disse podemos ficar todos mais descansados.


O M., esse, acordou após o exame e pôs-se a 'namorar' a assistente. Porque basta alguém, principalmente se for mulher, dar-lhe alguma 'trela' e ele não desgruda. Faz a festa toda.


Despedimo-nos, com a indicação, mais uma vez, para não nos preocuparmos. Fomos para o carro, pagámos 10,50 euros por menos de quatro horas de estacionamento (!) e viemos para casa mais leves na bolsa e no espírito.



........



Ontem, antecipámos a consulta dos dois anos com o pediatra, para lhe dar conta dos resultados do exame e para ele ver o M., pois já não o via há algum tempo. Agora, é raro o M. ficar doente, mesmo tendo voltado para o colégio e mesmo quando quase todas as crianças da sala ficaram doentes, tem resistido bem.

O pediatra acha que o M. não tem nada patológico. Diz que não acha necessário ir a uma consulta de desenvolvimento, ir só se daqui a seis meses não notarmos melhorias. Diz que o facto de ter estado muito tempo em casa (quase enclausurado, acrescento eu), ter ido para o colégio pouco tempo e ter voltado para casa, e ter estado sem ouvir bem durante muito tempo, justifica este atraso no desenvolvimento, mas que não está propriamente fora da normalidade. Diz que temos de lhe dar mais tempo e que precisa, agora, de muito colégio. [Eu concordo e lembrei-me de um miúdo da sala da M. - cinco anos - que só foi em Setembro para o colégio, porque esteve sempre com o pai na oficina, e quase que nem se percebia o que dizia. Em certas crianças, o colégio faz mesmo muita diferença.]


Quando eu disse que o otorrino sugeriu que falássemos com o pediatra para fazer a despistagem de alguma doença neurológica, incluindo autismo, o pediatra não conteve uma expressão de surpresa/riso. Disse que o M. não fala, mas interage, e que não ouviu bem durante muito tempo e que isso pode explicar todas as 'alterações' de comportamento que tem. Eu acho que o otorrino é hipocondríaco e acho que a Dra. que fez o exame e o pediatra também pensam o mesmo.

Desde bebé e até agora, as melhores palavras que descrevem o M. são 'relações públicas' (dizemos nós na brincadeira), simpático e bem disposto (diz a maioria das pessoas que se cruza com ele na rua, porque o M. mete-se com elas). Se está só ou com uma/duas pessoas, é quase certo que começa a 'deprimir-se'; por outro lado, se está num clima de festa, com música, dança, muitas pessoas e animação, delira. Eu acho que ele precisa de muitos estímulos, novos e diferentes, gosta de explorar e de novidades. Está mal (apático) quando está em ambientes 'seca'. Nota-se que ele gosta e tem necessidade de comunicar, só não o faz pela fala. O pediatra diz que ele ainda está um pouco abebezado e que lhe parece ser só isso.

Ontem, por exemplo, no curto percurso desde o carro até à clínica, passámos por duas senhoras e meteu-se com as duas. Disse-lhes coisas incompreensíveis, mas que eu acho que seria a cumprimentá-las. Uma espécie de 'boa tarde, como estás?'. Depois, avistou uma criança de um ano, ano e meio, e começou a sorrir. Quando passou por ela, esta estava a papaguear 'olhá olhá', e o M. deve ter pensado que era para ele. Parou, olhou para o miúdo e riu-se.

Quando chego com ele ao colégio, costuma ir ao balcão da secretaria e tenta saltar e subir, para poder espreitar a menina da secretaria. Se o ponho em cima do balcão, fica contente e tenta ir para o chão do outro lado. Há dias, quando ele estava a fazer isso, a menina disse-me, muito sorridente (e ela até um tanto ou quanto deprimida), que o M. vai lá visitá-la todos os dias. É conhecido no colégio por ser muito bem disposto, sociável, nada conflituoso, comer e dormir bem. Educadoras e auxiliares metem-se sempre com ele, e acho que o fazem por não ser uma criança dada a 'melindres', aceita bem qualquer tipo de brincadeira, é um bon vivant. Adaptou-se muito bem ao colégio, tanto da primeira como da segunda vez. Até bate à porta da salinha para entrar. Faz as suas birras, mas, regra geral, está sempre bem. Adora o parque e a sala dos bebés.

Um ou dois dias depois da cirurgia começou a dançar ao som da música. Já dançava, mas fazia-o por imitação, quando via os outros, ficando nós sem perceber se ouvia os sons. Agora, fá-lo espontaneamente. Na noite de 12 de Junho, fomos a uma espécie de festa de santos populares '3 em 1' (os três santos). Havia música, ninguém estava a dançar, e o M. começa abanar-se. Também queria saltar a fogueira pequena que as crianças estavam a saltar e, quando pegávamos nele para passar por cima, ria-se que nem um perdido. Adorou. Festa, lá está. Na mesa dos comes e bebes, estavam pacotes de sumo - o M. apontou e disse 'titi'. Ontem, ao fim do dia, fomos aos carrocéis e o M. andou. No fim, claro, não queria vir embora.

Começamos agora a descrobrir que é extremamente teimoso e desafiador. A educadora confirma. Por exemplo, sabe que não pode mexer nos botões do forno ou das máquinas. Mas vai lá, nós dizemos 'não' e ele pára, olha para nós de soslaio, ri-se e tenta mexer outra vez. Traquina mesmo. Provoca-nos e quando voltamos a dizer 'não' ri-se às gargalhadas. Pelo meio faz-nos uns olhares matreiros, sabe bem que está a fazer asneira. Andámos muito tempo com o discurso 'ah coitado que não ouve, deixa-o lá bater e atirar com o que quiser, ah coitadinho que tem que se distrair com alguma coisa' e agora está um libertino. :P

Ainda assim, há uma coisa que ele faz que nos preocupa. Parece que de vez em quando tem 'ausências'. Parece desligar por uns momentos e depois passa-lhe. Geralmente nota-se mais isso quando está preso na cadeira da papa ou na cadeira do carro ou no carrinho, quando está aborrecido sem nada para fazer e sem ninguém a interagir com ele. Associado ao facto de ter passado muito tempo sem ouvir, pensamos que acaba por ser apenas uma característica dele. Lá está, o pediatra acha que não é patológico. Diz que poderá ainda ser um 'tique' associado aos problemas auditivos que teve. Qualquer das formas, e como insisti um pouco nesse assunto, o pediatra achou por bem mandar o M. fazer um electroencefalograma. Diz que ausências de três a quatro segundos, em que a criança pára e depois volta ao que estava a fazer (não noto propriamente que o M. deixe de fazer alguma coisa, acontece mais quando já está inactivo), podem ser sintomas de epilepsia. Não lhe parece, pela nossa descrição, que seja o caso do M., mas como se trata de um exame não invasivo e que despistará esse problema, vamos fazê-lo. Vai ser já depois de amanhã e vai com a mesma indicação de estar cheio de sono para dormir durante o exame.

É claro que eu tento não me preocupar e acreditar que o pediatra tem razão, que não é nada patológico, mas não deixa de ser uma suspeita, mais uma. E eu já não consigo mais com suspeitas... Qualquer dia fundo uma Polícia Judiciária. :S E não posso deixar de me interrogar sobre o que mais é que virá a seguir! :S

Não é fácil estar constantemente num cenário de ter um filho talvez-surdo-ou-talvez-autista-ou-talvez-epiléptico-ou-talvez-tudo-junto-ou-talvez-nada-disso-e-andamos-é-a-viver-em-Hollywood-num-filme-bem-burlesco. Bem sei que problemas auditivos, mesmo que ligeiros, em crianças muito pequenas, podem provocar grandes perturbações ao nível da fala, do desenvolvimento e do comportamento, mas nunca pensei que pudesse chegar a esta dimensão.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Brother & sister

A educadora do M. diz que notou uma grande diferença no M. depois da operação. Perguntou se nós não notámos. Diz que fala com ele como fala com os outros meninos, e o M. percebe o que ela quer e faz. Diz que já não precisa de puxar pela voz, deixou de ter de gritar. Quando o M. fugia para o parque, ela tinha de chamá-lo várias vezes e muito alto até que ele ouvisse, agora chama-o como chama os outros e ele ouve. Diz 'vamos fazer um desenho!' e o M. vai. Pede brinquedos apontando para o que quer (quando estão nas prateleiras), brinca muito às comidas e até lhes vai mostrar o prato e os talheres, gosta de se enfeitar com fitas no cabelo (em casa também o faz, influências da mana), e veste e despe as bonecas.


Pedi à educadora para espreitar o M. quando ele estava na sala, sem que ele me visse. Queria ver o seu comportamento. A educadora disse à auxiliar para se sentarem todos juntos e para dar um brinquedo ao M. Deu-lhe uns copos empilháveis. O M. começou a brincar, todos os meninos puseram-se à volta dele a observar, um deles tirou um copo ao M. e o M. tirou-o de volta. Depois dispersaram. Um menino foi ter com o M. para lhe tirar o copo que tinha na mão e o M. ficou na dele, mas quando a auxiliar disse 'vai tirar o copo ao A.!', o M. foi ter com o A. e tirou-lho. A educadora acha que o M. está a par dos outros a nível cognitivo e social. Só não fala.


Em casa, o M. tem estado muito mais atento à televisão, principalmente aos bonecos, à menina russa e aos... políticos e afins. :S Imita os políticos a falarem (na linguagem dele) e faz os mesmos gestos (acena com o dedo indicador e cerra os pulsos) para dar ênfase ao que está a dizer. lol Nunca tive muita necessidade de ralhar com o M., mas como ele está a crescer e até pode não ouvir bem mas tem de conhecer os limites, por vezes zango-me com ele. Ele fica sentido, enerva-se e cerra os pulsos e os dentes um bocadinho, para libertar a 'raiva'. Mas passa-lhe depressa, porque não consegue ficar sério muito tempo. Quando se deita no chão a fazer birra (coisa rara também), dura uns cinco segundos porque olha para nós, desata a rir, levanta-se e arranja algo com que se ocupar.


Ontem, quando saímos do colégio, a mana começa a fazer uma dança muito esquisita, tipo selvagem (ela é assim lol) e a emitir uma espécie de sons à homem das cavernas. O M. começa a dançar como ela e... emite exactamente os mesmos sons! À noite, pareceu-me que o M., quando estava a adormecer, estava a ouvir o som da etiqueta da fralda de pano. Ele mexeu na etiqueta sem querer e, como estava tudo silencioso, aquele som baixo era fácil de identificar - pareceu mesmo que ele ficou atento ao som. Também parece que tem prestado atenção ao barulho do papel quando está a ver os catálogos e as revistas. E pega na embalagem (metálica) da água do mar, tira-lhe a parte de cima de plástico e começa a bater uma na outra. O som até é um pouco seco e 'leve', mas ele gosta de fazer isso e ri-se de satisfação. Ainda ontem à noite, ele pôs os copos de plástico dele e da mana em cima da mesa, mas eles tombaram, rolaram e caíram ao chão. Fizeram barulho, claro, e o M. assustou-se. Já repetiu o 'anda!', dirigido à irmã e acompanhado pelo respectivo gesto, quando ele estava entre mim e ela, e ela não obedecia ao meu 'anda!'. E a auxiliar da sala do M. diz que o chamou para mudar a fralda e que ele disse uma palavra que lhe pareceu ser o nome dele. São tudo bons indícios, claro, mas o meu marido diz que eu sou como o otorrino... céptica. Admito que sim, mas não quero (des)iludir-me.

O certo é que ele está muito mais presente, mais cá, mais atento, mais comunicativo. Tenta falar na linguagem dele, utilizando entoações diversas e gestos. Até vai dar estaladas à irmã, coitada (ela não se importa muito, ele não a magoa, mas não pode ser), quando ralho com ela.


A mais velha está grande, muito grande, e com a mania de que sabe falar inglês (e até sabe). Agora anda a dizer os nomes das divisões da casa e dos membros da família em inglês (o mano é baby e brother). Ontem à noite perguntou-me se podia ir para a living-room. Confesso que tive de pensar um pouco antes de responder, pois não estava à espera de uma frase poliglota. ;) Tem seis namorados (devem ser os rapazes todos da sala e eles confirmam) e diz que ainda vai ter mais porque tem de ter muitos, tem de ser a que tem mais, basicamente tem de ganhar. Ela tem de ser sempre a maior e a mais forte, mesmo que isso implique atitudes socialmente menos correctas como ter um número infinito de namorados. Estou tramada. :P

quinta-feira, 23 de abril de 2009

De ouvidos bem fechados

E depois da pneumonia, o papá ficou com uma tosse do pior e arranjou uma virose (?) que durou uma semana. Foi a gota d'água. Consegui antecipar a consulta de pneumonologia/alergologia que tinha marcado para ele. O médico deu-lhe uma catrefada de medicamentos, mas todos eles (pelo que temos verificado) úteis. A tosse passou quase imediatamente. Fez-lhe o teste das picadas para ver se tinha alergias. Nem uma, facto que tanto nós como o médico já suspeitávamos já que a análise ao sangue tinha revelado não existir tendência para alergias. O médico também concorda que tudo tem origem no nariz: na rinite/sinusite, mas mandou fazer TAC torácico só para despiste. No dia 27, segunda-feira, há consulta com novo otorrino, já que o outro não nos tem 'enchido as medidas'.

E com o pai, à consulta de ORL vai também o mais novo. Ter uma segunda opinião (neste caso já vai em terceira, mas enfim). Nem me apetece escrever muito sobre o assunto... A verdade é que tanto em casa como no colégio se nota muita perda de audição no M. Praticamente todas as palavras (muito rudimentares) que já ia dizendo, deixou de dizer. Há alturas em que parece melhor, há alturas em que está francamente pior e nota-se pelo coçar das orelhas (geralmente coincidem com nascimento de dentes ou tempo frio e húmido).

Não tem tido febre nem estado doente, não tem tomado antibióticos, e anda sempre feliz da vida. E farta-se de palrar. Mas a linguagem é praticamente inexistente. Sabe dizer 'dá' para pedir, mas acho que até isso anda a dizer cada vez menos. Se a opção cirurgia me metia imenso medo, agora, sinceramente, se me dissessem que era necessário operá-lo para recuperar a audição, não pensava duas vezes. Ele é extremamente inteligente e vivaço, mas noto que cada vez mais lhe faz falta a linguagem. Os outros sentidos estão mais apurados, claro, o que não acho muito positivo. Está praticamente desligado do mundo em termos de audição, só ouve sons muito altos. E, claro, imita tudo o que fazemos, porque é o que o liga ao mundo. Sinto-me triste e um pouco perdida. Daí ir na segunda-feira a outro otorrino. O primeiro disse, no Outono, para só lá voltar em Março/Abril; o segundo disse, há pouco tempo, para só voltar em Setembro, que ele está melhor e tal e que há casos muito mais graves. Pois bem, eu acho que o facto do meu filho não ouvir não é grave, é gravíssimo. Ele pode não tomar antibióticos nem ter febre, mas volta e meia fica com os ouvidos muito inflamados e não ouve quase sempre.

Há tempos, achei que ele andava a mexer mais nas orelhas e resolvi ir até ao centro de saúde, que estava praticamente vazio, com ele. A médica era uma abrasileirada, muito disponível, e até chamou uma colega para ter outra opinião. Segundo elas, não tinha líquido nem cera nos ouvidos. Um dos ouvidos estava bem, mas outro tinha uma perfuração da membrana do tímpano. Diz a médica que, em geral, as perfurações saram por si só, e que o grande problema neste tipo de otites é, obviamente, a perda de audição.

Eu anseio por segunda-feira, e vou dizer ao otorrino que não estou nada tranquila, que não quero que o meu filho fique com sequelas, que não me importo que use um aparelho auditivo enquanto não se conseguir solucionar de outra forma, que se a melhor opção for operar o meu coração evapora-se mas tem de ser. É que o meu filho fica a olhar para as pessoas que falam com ele e percebe que lhe estão a dizer alguma coisa, mas não sabe o quê. Ou melhor, não ouve.

Adenda: Consultas adiadas, pelo consultório, para quinta-feira, dia 30. Mais uns dias de espera...