terça-feira, 10 de Novembro de 2009

Mas a quem é que os meus filhos saem? :S

Palavras do pai:

Ela vai ser sempre assim roqueira, nunca vai ser princesinha. É assim, pronto.
[Despachada, robusta, atlética, dançarina, festiva, a melhor, a mais forte, a primeira, a que leva tudo à frente.]

Ele vai ser sempre assim parvinho. Vais ver.
[Palhaço - ok, acho que quando o meu filho conseguir ler isto vai ficar ofendido :P -, brincalhão, folião, expressivo, na dele, engraçado, sempre em festa.]

Teimosos e persistentes, os dois, acrescento eu.

GripeS

O pediatra dos meus filhos diz que eles devem tomar a vacina da Gripe A logo que comecem a vacinar as crianças 'normais'. Segundo ele, não há qualquer inconveniente, pelo contrário. Devem mesmo fazê-la.

O M., como tem problemas respiratórios, nomeadamente asma, ainda que ligeira e controlada com medicação, pode tomar a vacina mais cedo, tendo que apresentar, para o efeito, uma declaração do pediatra. Só que tomou a segunda dose da vacina da gripe sazonal no passado domingo, pelo que vai ter de esperar um mês (por volta do dia nove de Dezembro, adquirindo imunidade ao vírus lá para o final do ano).

Hoje em dia, os miúdos são sujeitos a vacinas 'a mais', não há dúvida. As vacinas já não são apenas para as massas, são também individualmente massificadas. Já lhes perdi a conta, nem vale a pena tentar seguir o rasto. É evidente que isso nos deixa apreensivos, porque, lá diz o povo, tudo o que é em excesso faz mal. Põe-nos a pensar. Todavia, em situações como estas, de epidemias, pandemias e outras -mias, as vacinas não me assustam, pelo contrário. Foi, também, à custa das vacinas - do plano nacional e extra plano-, que os meus filhos já escaparam, por exemplo, a surtos de varicela e a gastroenterites que deixaram os outros miúdos bem mal.

quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

Com os pés bem assentes... no que estiver mais à mão

7:00 de segunda-feira:

M. é acordado. Levanta-se a custo e é tirado da cama. Ainda meio a dormir, desloca-se aos pés da cama e calça os chinelos. Só que os chinelos não estavam lá! O sono era tanto que estava a fazer aquilo 'automaticamente', mas lá acabou por dar conta de que não havia chinelos.

Prosseguiu. Desta feita, dirigiu-se ao guarda-roupa e abriu a gaveta onde sabe que estão umas meias antiderrapantes da irmã (mas que ele 'adoptou') cada uma com uma grande vaca cosida à frente. Pegou em dois pares de meias com uma textura semelhante e foi em direcção à salinha, sem se aperceber que aquelas não eram as que ele queria.

Já na salinha, despertou e foi brincar. Peguei nas meias e guardei-as. Nunca mais se lembrou delas. 'Tadinho, estava mesmo com sono (costuma levantar-se mais tarde), mas, tal como a irmã, mal se levanta, é um despacho.

sexta-feira, 30 de Outubro de 2009

'Ai' já não é um mero grito

Exclama o M.:
- Ai!
A M. vira-se e constata rapidamente:
- Olhem, o M. disse um ditongo: o 'ai'!!
Observa imediatamente o surpreendido pai:
- Foi a coisa mais eloquente que ela disse até hoje!

Já passou tanto tempo que até já estamos noutro mundo, no admirável primeiro ciclo do ensino básico.

sexta-feira, 31 de Julho de 2009

Essência masculina numa caixa

Comprei, no Continente, um cesto rectangular pequeno e com tampa. Cheguei a casa, tirei-lhe a tampa e coloquei-o na casa de banho com produtos de higiene (cremes, água do mar e pouco mais). Ficou logo tudo mais organizadinho.

Quando o papá cá de casa entra na casa de banho e dá de caras com semelhante obra-prima, imediatamente discursa sobre o assunto:
- E para mim, não há? Não compraste? Também quero um. Olha a ver se trouxeste para mim!
Respondo:
- Ainda pensei nisso, mas pensei que não querias, e não sabia se cabia aí.
- Tens de comprar um para mim. Preciso para pôr os meus produtos todos que estão ali. Olha, vês? Quando fores lá, compra outro.

[Era tudo tão mais simples antes da metrosexualidade...]

quarta-feira, 29 de Julho de 2009

Muitos, muitos anos depois...

Quem é que consegue encarar um subsídio de 200 euros que só pode ser movimentado pela 'criança' aos 18 anos como um incentivo à natalidade?

Algumas considerações:
- Que os pais possam fazer depósitos ao longo dos anos tendo as mesmas deduções fiscais das contas poupança reforma ainda deve ser o melhor da proposta. Mas, ainda assim, é preciso que os pais tenham capacidade financeira para o fazer. Afinal dá-se 200 euros, supostamente para ajudar, e depois espera-se que os pais ainda tirem da cartola mais uns euros?

- Será que se esqueceram que colocar mais um zero? Se calhar é um lapso. É que em Espanha são 2500. :S

- 200 euros, mesmo com juros e com alguns trocos poupados ao longo do tempo serão significativos para ajudar ao início de um empreendimento próprio ou para financiar os estudos superiores (como ouvi na rádio)?

- Como incentivo à poupança, ainda vá, agora, e repito a questão, como incentivo à natalidade? 18 anos e nove meses depois?

segunda-feira, 27 de Julho de 2009

Juntar as peças

A auxiliar da sala do M. disse-me que na sexta-feira estava a dar água aos meninos e que o M. lhe pediu:
- Ti, áua! [Tina, água!]
Ela diz que até olhou para a educadora, para ver se ela também tinha percebido, e que a educadora fez-lhe um gesto a mostrar que sim.

É notório que o M. se esforça mais fora de casa. No colégio, com os avós ou com desconhecidos. Então com desconhecidos, é vê-lo a dizer dezenas de 'olás' e até mesmo 'andas' ('ana', na linguagem dele, acompanhado da mão a fazer o gesto).

Nunca o ouvi a pedir água. Pega na garrafinha e bebe; ou aponta para a garrafa/copo e emite uns grunhidos impacientes ou diz 'dá'; ou pega no copo, sobe a uma cadeira e tenta pegar no recipiente da água para enchê-lo (não consegue, que o recipiente é pesado, por isso... grunhe :S).

Perguntei à auxiliar se o M. costuma chamar por ela ('Ti') e ela diz que sim. Cá por casa, quando quer alguma coisa, muitas vezes diz 'ati', o que eu pensava ser o nome dele, do tipo 'dá ao ati'). Agora estou na dúvida, será que o que ele está a dizer não é o nome dele, mas sim o nome da auxiliar? Do género, 'quero a Ti', ou então pensa que 'Ti' é qualquer coisa que significa o mesmo que 'dá'? Só dúvidas... Hoje vou tentar falar melhor com ela sobre isso.

No fim-de-semana, o M. foi à cozinha, pegou numa banana e disse 'nana', ao mesmo tempo que a trazia para eu lha dar. E, ao mostrar-lhe um cartão dum jogo do Noddy, que tinha uma maçã, ele repetiu o meu 'maçã' com um 'çã' ou 'açã', som que nunca o tinha ouvido dizer. Serão coincidências? O certo é que estes momentos são tão escassos... E ainda há aquilo que não percebo bem se disse ou não, como me parecer que já disse borboleta, sapato, casaco e dói-dói, tudo na liguagem dele, claro. Mas é tudo tão incipiente... Tento ficar feliz com estes pequenos avanços, mas a preocupação leva a melhor.

Ontem, estava a brincar com ele, com um jogo que tem um tabuleiro e uma peças magnéticas em forma de carros. Digo-lhe sempre 'pó-pó', mas, para variar qualquer coisinha, comecei a dizer-lhe 'pó-pó azul', 'pó-pó vermelho' e assim por diante. Ele acena com a cabeça, a dizer que sim, mas não sei ao certo com que intenção o faz. Colocámos três carros azuis juntos e disse-lhe que eram todos azuis. E ele apontou e disse 'zu'. Depois, para meu espanto, olha para o meu pijama e aponta para uma lua azul e ri-se, depois aponta para um urso azul. Não pode ser coincidência, pois não?

Noto no M. um crescente (ou será apenas mais notório) problema com níveis de frustração. Não sei se é por não falar que tem esse problema, ou se é por causa desse problema que não fala. O certo é que é capaz de se ocupar por bastante tempo a fazer alguma coisa que lhe corra bem. Mas, se não consegue, como quando falha em colocar uma peça num puzzle, desiste e vai logo fazer outra coisa qualquer. Por vezes, até puxa o cabelo ou belisca-se. Nada de mais, mas é evidente. Se calhar noto mais agora, porque começou a fazer mais puzzles, desde que os pus mais à mão. Os que são para a idade dele ou mesmo alguns para três anos, até lhe correm muito bem. Mas se vai buscar puzzles mais complexos ou se não consegue encaixar uma peça, desanima. Não se isola, geralmente vai buscar outra coisa qualquer para brincar connosco ou ao nosso lado. Acho que nas crianças pequenas é normal esta frustração, mas como aqui o caso está um bocadinho mais complicado, a preocupação também aumenta.

Quando me lembro da M., na idade dele, era o mesmo ou pior. Ainda hoje, se for a ver, a M. tem a mania que tem de ser a melhor e não lida bem com a frustração. (Será que alguém lida?) Quando era pequena, nem pegava em puzzles. Só muito tarde consegui que sossegasse e mostrasse interesse em que lhe contasse histórias. Andava sempre de um lado para o outro, sempre foi muito 'física'. Pedalava no triciclo como ninguém, mas não ligava à TV nem aos peluches nem aos jogos, pouco aos livros. Queria andar sempre aos saltos e era (é) um despacho.

Acordava e não chamava por ninguém. Berrava. E só se calava com o biberão na boca. Era difícil vesti-la e penteá-la, tal a energia. No colégio, disseram sempre que não era hiperactiva, apenas com muita vida. Hoje, confirma-se. E que brincava muito sozinha (provavelmente por fazê-lo em casa), mas também brincava com os outros (basicamente com os maiores, até fugia para a sala dos grandes). Insistiam nisto, que ela brincava muito sozinha, mas também acompanhada. E eu, ainda pouco informada destas coisas comportamentais, perguntava-me 'mas por que raio insistem em dizer que também brinca acompanhada, qual era o problema se brincasse sozinha?'. Juro que na altura não percebia. Para mim, uma criança pequena brincar sozinha parece-me tão normal. Porque, como diz o pediatra, antes dos dois anos, o conceito de socialização delas ainda é rudimentar. E, claro, como ela era cheia de vida, não me passava pela cabeça que pudesse ter algum problema (a não ser a infindável energia).

...

Com tanta dispersão por parte do otorrino, na consulta esqueci-me de falar com ele sobre o mais importante. Sobre a interpretação do exame auditivo, que ainda não fizemos. Basicamente, só tínhamos falado ao telefone sobre isso. Queria saber até que ponto é que aquele exame nos pode dar alguma indicação sobre o nível de audição do M. antes da cirurgia. E queria também preceber por que é que supostamente o restabelecimento da audição é imediato com a cirurgia, e afinal depois venho a descobrir que não é bem assim. Que o exame só deve ser feito pelo menos um mês depois da cirurgia para que os resultados sejam fiáveis. É contraditório e gostava de perceber a lógica. Por isso, vou ter de fazer um sacrifício e acompanhar o meu marido, na quinta-feira, quando for ao otorrino tirar o (último) silicone que ainda tem no nariz. Vou levar o relatório do exame e ver se consigo retirar do médico alguma informação objectiva sobre o assunto, que é isso que pretendo dele, e não aventuras noutros campos da medicina (acho que ele deve ser um Indiana Jones reprimido :P).