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sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Porque há que proteger as crianças

A empregada destranca a protecção, abre as portas do armário dos detergentes, tira o que tem a tirar, deixa a protecção aberta, faz as suas limpezas, volta a guardar os detergentes, fecha as portas. E deixa a protecção ao dependuro numa das portas. Eu chego e tenho de trancar a coisa. [Quase] sempre.

O M. destranca a protecção, abre uma das portas do armário para tirar uma pastilha de detergente para a máquina da loiça, abre a máquina da loiça, coloca a pastilha na 'gavetinha' da máquina, fecha a 'gavetinha', fecha a máquina, fecha a porta do armário. E volta a trancar a protecção. Sempre.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Cinco anos e é já!

Neste ano lectivo, o M. (já) foi para o jardim de infância público.

Na passada terça-feira, dia 6, a educadora do prolongamento contou que ele se deita à hora da sesta, mas fica acordado. Disse que devia ser por ser dos mais velhinhos...
Fiquei admirada por ele ser dos mais velhos, já que há miúdos a partir dos três (alguns ainda sem os ter completado), mas como ainda são apenas actividades com a educadora e auxiliares do prolongamento e estão poucos miúdos, podia até ser que fosse dos mais velhos.

Qualquer das formas, perguntei admirada:
- Ele é dos mais velhos?!
- Sim, como já tem cinco anos...
- Cinco? Não, ele tem quatro [já havia dito e essa informação está nas listas, mas a educadora não deve ter fixado] e feitos recentemente!
- Ah! É que ele disse-me que tem cinco anos, e eu acreditei!

[Aqui, fez-se-me luz e quase que me saiu um 'LOL'! :P]

- Ele diz que tem cinco porque quer fazer anos outra vez. Aliás, ontem fizemos bolos e ele queria fazer uma festa de aniversário. Mas não, não tem cinco, ainda há pouco fez os quatro. Pela altura, até podia ter, mas não. :D
- Pois, eu nem estranhei muito porque ele é muito grande, tem corpo de cinco anos.

E, de facto, tem mesmo. 107 cm, aos quatro anos, já é altura de cinco, mas isso 'runs in the family' porque com a irmã é a mesma coisa. Praticamente rebentam como os percentis das alturas e as etiquetas das peças de roupa só servem mesmo para fazer comichão, porque os anos/cm que lá aparecem não nos oferecem orientação alguma.;)

Depois, já no carro:
- M., quantos anos tens?
- Cinco! [Ele ainda não pronuncia correctamente a palavra, mas percebe-se bem que é 'cinco'.]
- Não tens... Tens quatro anos!
- Não. [Here we go again.]
- Sim. Tens quatro.
- Não tem!
- Não é não tem, é não tenho. E tens, tens quatro anos.
- Não tenho. É cinco!
- Não é, tens quatro! Ai!
- Depois cinco?
- Sim, depois vais fazer cinco.

A juntar às taras da Bracalândia e da Disney, ainda há esta do querer fazer cinco anos. Passa a vida a dizer que 'quatro anos já 'tá' e que agora vai fazer cinco e quer um bolo e uma festa e mais não sei o quê. O 'problema' dele é a teimosia. Teimoso teimoso até mais não.



quarta-feira, 7 de setembro de 2011

M., camaleão

Este meu filho até na cor dos olhos tem de ser... vamos chamar-lhe... original... ;)

Começaram por ser - até perto dos dois anos talvez - claramente azul-cinzento.
Agora, parecem-me mais para o verde, mas - definitivamente - são daqueles cuja cor muda consoante a luz, o clima, o humor, a roupa, a taxa de inflação e o número de habitantes por metro quadrado da terceira maior cidade do Azerbaijão.
Sempre foram muito raiados.

Às vezes são cinzentos, outras vezes são azuis, muitas vezes verdes. E a parte raiada chega a ser quase... amarela.:P [Acho que condicionada pela luminosidade.] Parece-me que o mais provável é o 'fundo' ser azul e a parte raiada ser verde. É a explicação mais científica que encontro para tais variações. :D


segunda-feira, 5 de setembro de 2011

E agora é o Natal...

Ele:
- O Pai Natal vem aí.
Eu:
- Não...
- Tim.
- Não é tim, é sim., mas não, não vem.
- Xiiiim!
- Não é xim, é sim, e não, não vem.
- Sssssssim!
- NÃO!
- Depois?
- Não.
- Logo?
- Não. Falta muuuuuito tempo.
- Não, o Pai Natal vem já.
- Não, só vem quando estiver muito frio e chuva e escuro e montarmos a Árvore de Natal...
- O Pai Natal vem já... no escuro... hoje.
- Não é hoje.
- É.
- Não é.
- É.
- Tá frio.
- Não está, tem que estar mais frio.
- Tá muito frio [e faz de conta que tem frio].
- Tem que estar mais, não é agora.
- É.
- Não é.

E continua indefinidamente até me pôr k.o. Noutros tempos, diríamos que ele não ouvia bem, que não percebia bem e/ou que tinha um ou mais possíveis problemas neuropsicológicos. Agora a conclusão é que ele é chato, teimoso, não se cala até levar a dele avante e não quer saber dos argumentos dos outros. É que é pela exaustão. Vislumbro-lhe uma profícua carreira política. ;)

[Bem, temos de admitir que tecnicamente ele é um homem e o Natal é quando um homem quiser.;)]

sábado, 3 de setembro de 2011

Kidsland

ou como emular um parque de diversões longínquo.

Hoje a 'tara' da Disneyland Paris esteve ao rubro. Começou logo de manhã. Como hoje é sábado e ficámos todos em casa, deve ter achado que era a oportunidade perfeita para levar a sua avante e dar um saltinho até ao parque de... Paris! Não aceitou o 'vamos noutro dia', nem sequer o 'vamos amanhã', já em desespero de causa. Não.. Para ele tinha de ser 'logo', 'depois', 'hoje'!

Esteve, uma vez mais, agarrado à revista sobre esse parque de diversões. Folheou-a, namorou-a, perguntou o que eram algumas coisas, disse que ele e a mana iam ver os piratas, mas que ele não ia ver as princesas, só a mana.

E chateou, chateou, chateou com o 'vamos à Disneyland, sim?'. E não descansava enquanto não lhe dizíamos 'sim'. Arre. ;)

Expliquei-lhe que é preciso muito dinheiro, 'moedas', para ir, pelo que [era óbvio] foi logo buscar a moeda de dois euros que havia guardado, mas não a encontrou. A irmã correu em seu socorro, foi buscar o porta-moedas dela e deu-lhe uma moeda de cinquenta cêntimos. Ele ainda discutiu porque queria a nota de cinco euros, mas acatou ficar com a moeda e [achou que] tinha o problema da falta de dinheiro resolvido...

Depois do almoço foi o pico da coisa. Arranjou um saco de plástico e pôs lá dentro um pão embrulhado em papel de cozinha e iogurtes líquidos (supostamente para lanchar no parque... francês).

Lá lhe disse que é muito longe, mas ele insistiu que íamos. Chegou a dizer que a Bracalândia também é longe (ou seja, se fomos a um parque que é longe também podemos ir a outro).

Metemo-nos no carro e fomos a um parque perto de casa, mas ao qual nunca tínhamos ido. De nada serviu. 'Não é aqui, não é aqui', 'é para bebés'... Abandonou o parque, deixou-nos lá e foi para a beira do carro.

Foi aí que tive uma ideia luminosa. Ir a um parque noutra cidade, para o convencer com a distância que seria 'longe'. Só que ele dizia que não era por ali, não era por ali (mas por onde é que achava que se deveria ir? ;)). Depois, lá assumiu que não íamos à Disneyland e perguntou como é que se chamava o parque a que íamos. Mais uma ideia luminosa: 'Kidsland'. Sim, íamos ao parque de diversões 'Kidsland'!

E foi assim que chegados a outra cidade, a um parque infantil normalíssimo com jardim e árvores à volta, estávamos na 'Kidsland'. Ainda dentro do carro, espreitou, observou (nós a torcer para que ele ficasse convencido), disse-lhe que era ali o parque 'Kidsland' e dei uns gritinhos de contentamento. Olhou-me sério e... explodiu de alegria.

Estávamos safos.

Chegados a casa, diz: 'outro dia vamos à Disneyland!'. Ai...

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

M., turista de parques de diversões

O pai deu-lhe uma moeda de dois euros e ele, em vez de colocá-la no mealheiro, foi guardá-la numa caixa. Como anda com a 'panca' da Bracalândia desde que lá foi, diz que a moeda é para ir lá (mal sabe ele que nem sequer tem de pagar para lá entrar ;)).

No carro também anda com uma revista sobre um parque de diversões, mas desta feita o da Disleyland Paris. Diz constantemente que 'outro dia' vamos lá. Pois, é já ali ao virar da esquina. :D

Lavagem cerebral II

Os quatro no restaurante.
Ele tenta tirar batatas fritas da travessa pela quinquagésima vez.
O pai olha-o de modo fulminante e exclama:
- Jáááááá...
E ele prontamente completa:
- Chega!
Ela intervém rapidamente para apresentar as conclusões das suas 'experiências laboratoriais':
- Estão a ver como lhe lavei bem o cérebro?!

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Lavagem cerebral

Os dois no banho.
Ela põe-lhe champô no cabelo e faz-lhe uma crista.
Ele fala, fala, não me lembro sobre o quê, mas não deve ter sido nada de mais. :) Ela, qual irmã babada, atira:
- Oh M., és mesmo inteligente! Tens tanta inteligência, mano!
Depois vira-se para mim:
- Estou a lavar o cérebro ao mano! Assim, ele vai ficar ainda mais inteligente.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

What´s your name?

Chego ao colégio e ele está todo sujo de alto a baixo, parece que não toma banho e não troca de roupa há um mês. Ou seja, acaba de chegar de mais um dia de praia. ;)

Lá foi buscar a mochila ao cacifo. E, nisto, começa a dizer os nomes dos respectivos donos dos restantes cacifos (da salinha dele). Cada cacifo tem a sua etiqueta com o nome, tendo alguns o nome e o sobrenome para haver diferenciação. Alguns tinham pertences, mas a maioria estava vazia. É verdade que já lhe disse algumas vezes o 'nome' de cada cacifo, mas não me lembro de ter dito os sobrenomes , pelo menos todos. Por isso, fiquei sem perceber se decorou simplesmente o sítio em que está cada um ou se chega lá pelas letras/palavras.

Viva a Pitta :)

Pizza:
Ela dizia com dois 'ss'.
Ele diz com dois 'tt'.

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Xiiiiiii, tão grande!

No fim-de-semana fomos à Ikea. Já lá não íamos há bastante tempo. Penso que na última vez o M. ainda era bebé. Tínhamos a intenção de deixar o M. e a M. no espaço de brincadeiras de que a Ikea dispõe. Assim, podíamos ver mais tranquilamente o que queríamos, até porque envolvia algumas questões muito 'técnicas', portanto sem interesse algum para as crianças.

Só que a M., apesar de só ter sete anos (quase oito, pronto) está enorme. E a funcionária olha para ela e diz que já é muito grande! Pois que aqui os pais não sabiam que só entram crianças abaixo dos 125 cm. Mediu a M. e concluiu que mede bem acima dos 130 cm, logo nada feito. A M. ficou tristíssima, pois claro. E nós também. E o mais novo também. Porque apesar dele ter dito que ficava sozinho, sem a mana, na área infantil, não quisemos deixar só um. Ainda fomos saber se existia no shopping contíguo algum espaço semelhante que permitisse a entrada a miúdos maiores, mas nada... (há outro espaço mas com os mesmos critérios de altura). É o que dá ter filhos altos...;)

Lá fomos à loja ver algumas coisas 'a correr'. Quer-me parecer que a M. vai ter de se habituar, em breve, a não poder entrar na maioria dos 'espaços' de brincadeira em que o irmão entra. Até há uns tempos era ele que por vezes não podia ir por ser novo demais. Agora é ela. E é um problema tanto mais que ela adora tudo o que envolva actividade. A rapariga é o exercício físico em pessoa...

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Avaliação dele

Recebi hoje a avaliação final de Informática, a única actividade extra-curricular que frequentou nos últimos tempos, já que acabou por sair da natação por não se ter adaptado ao professor substituto (que, admitido pela educadora, não é grande coisa :S).

É assíduo; mostra interesse; está atento, acompanha a aula; mantém-se no lugar; respeita o professor, colegas e material; ajuda os colegas, partilha ideias e material; segue as indicações do professor/exercício; detecta e corrige erros; aplica os conhecimentos transmitidos; manuseia e utiliza adequadamente o rato, teclado; demonstra progressos. Em todos estes pontos teve nota máxima [objectivos ultrapassados].

Preocupa-se com a qualidade dos trabalhos; liga e desliga o computador. Estes objectivos foram 'atingidos'. É engraçado porque na idade dele a M. precisava que lhe ligassem e desligassem o computador. Ele não: chega a casa, vai buscá-lo, liga-o, coloca o rato, abre programas e faz a vida dele. :)

Escreve a professora de Informática que "o M. é um menino muito inteligente e sempre bem disposto. Está sempre pronto para trabalhar, gosta de partilhar as suas ideias e conhecimentos com os seus amigos. Parabéns M., continua a trabalhar.".

O que eu me ri com a parte do bem disposto. É mesmo dele: como adora o computador, faz tudo e fica de certo fica muito sossegado e empenhado. Um anjo. Depois deve sair da aula e vai aterrorizar. :) Qualquer das formas, a professora já tinha dito à educadora que o M. tem muito jeito para a Informática. Quem sai aos seus... ;)

terça-feira, 15 de março de 2011

[In]disciplina

À mesa, ele teima, ora por pura distracção ora para nos provocar, em limpar as mãos ao pijama, em vez de utilizar o guardanapo. Ralho com ele e lá vai ao guardanapo, mas, logo a seguir, volta ao mesmo, grudado nos desenhos animados do canal Panda.

A irmã observa a situação e, no fim, conclui: O mano é muito IN-DIS-CI-PLI-NA-DO! É isso, ele é IN-DIS-CI-PLI-NA-DO! É como a Cláudia. Sim, a Cláudia do texto que lemos hoje na escola. Blá blá blá fugiu para a floresta blá blá blá e magoou-se e blá blá blá, também foi indisciplinada.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Três anos, três!

Ou, como diria o M., 'tê'.


De manhã, a ver um desenho que a mana lhe fez. Está a apontar e a nomear as figuras dele e da irmã. Gostou muito. ;)

De tarde, no colégio, com chocolate do bolo de aniversário na boca. Fui entregar o bolo e acabei por ficar à conversa com a educadora, o que levou a que me tenha acabado por cruzar com o M. Já não consegui 'fugir' e fui à 'festa' de aniversário no refeitório. O M. gostou muito de me ter lá e depois veio embora comigo. Até nem fez birras à saída do colégio e foi bem mandado até ao carro. A educadora diz que ele está a sair da casca e que faz muitas malandrices. Depois corrigiu e disse que malandro sempre foi, desde que o conhece, mas antes fazia as coisas mais pela calada. Agora, é descarado mesmo. Junta-se com os outros meninos (são muitos na sala) e fazem coisas de rapazes, asneiras basicamente.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Se alguém me encontrar,

devolva-me à procedência, p.f.

O meu marido diz que desde que o M. nasceu nunca mais fui a mesma, não sendo isto um elogio.
Infelizmente, é verdade. Há quase três anos que me sinto como se estivesse a suster a respiração. Não consigo desfrutar os meus filhos, nem um nem outro.

Acho que o facto da M. ter nascido primeiro ainda veio tornar tudo mais difícil. O meu marido diz que não. Eu acho que sim. Ficámos mal habituados. A M. é, sempre foi, uma força da natureza, muito independente, aprendeu (quase) tudo sozinha. Teve sempre um desenvolvimento muito linear, admito que nunca tivemos de nos esforçar muito. É difícil lidar com essa força toda, essa independência toda, a teimosia, o ego, mas o resto é, sempre foi, muito fácil.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

É Carnaval, Papai e mamãe

Há poucos meses, resolvi que já era mais do que altura para o M. chamar 'papá' e 'mamã'. Ele já dizia as palavras, mas não no sentido de nos chamar, dizia mais para ele do que para nós. Até que, falando com a educadora, disse-me que o M. chamava por uma das auxiliares da sala. O M. gosta muito dela e, como ambos são muito 'dados', passam a vida aos beijos, abraços e rebolanços. :) Chama-se Cristina e a educadora disse que o M. a chamava com uma palavra que não sabia bem descrever mas que tinha três sílabas e que era parecida com Cristina.

Ora, perante isto, pus-me a pensar que talvez o M. estivesse a ficar mais predisposto para chamar pelos nomes das pessoas. Certo dia, quando estávamos a trocar-lhe a fralda, o pai foi embora e, claro, o M. começou a stressar, a apontar e a refilar, mas nada de dizer 'papá'. Disse ao meu marido para só se virar quando o chamassem 'papá'. Chamei 'papá, papá' e o meu marido virou-se. Repetiu-se a cena e depois insisti com o M. para que fosse ele a chamar 'papá'. Ele fê-lo uma vez e desde aí nunca mais parou. Poucos dias depois, e eu já chateada porque era só 'papá' para aqui e para acolá, resolvemos fazer o mesmo mas para 'mamã'. Resultou e nunca mais parou. Mais tarde, foi a vez de 'avô' e 'avó', pronunciados com 'b', e de 'mana' (nana).

Há pouco tempo, o M. surpreendeu-nos ao chamar 'pai'. O meu marido lá disse que não era a primeira vez que ele dizia uma palavra qualquer e depois não voltava a repetir, mas eu insisti que ele andava a repetir a palavra várias vezes e era a referir-se a ele. Não o convenci. Nisto, e também ao trocar a fralda, o meu marido sai, fecha a porta, e o M. chama 'pai'. O pai volta e o M. torna a chamar várias vezes 'pai'. Mais tarde, e sem insistência nossa, começa a chamar 'mãe'. E sempre muito feliz ao dizer 'pai' e 'mãe', deve achar piada às palavras novas.

Ultimamente, inovou e fez uma espécie de miscelânea, pelo que somos, agora, 'papai' e 'mamãe', à brasileiro mesmo. Deve ter andado a treinar para o Carnaval. :P Hoje, lá foi para a festinha de Carnaval do colégio, apesar de ter sido uma noite péssima com ele sempre a tossir e a vomitar alguma expectoração (devo confessar que fico 'feliz' com estes vómitos úteis em que praticamente não sai comida mas sai a viscosidade :S).


[CSR, p.f. manda-me um mail ou um convite para o teu blog, uma vez que não tenho o teu contacto.]

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Em piloto automático

Gostava de adormecer e só acordar quando o meu filho falar (o que significaria vê-lo mesmo bem).

Eu sei que há situações muito mais complicadas, que há milhões de pessoas a morrer à fome e que houve um terramoto catastrófico, mas não consigo ficar mais feliz ou menos infeliz por causa disso. O que se passa aqui pode nada interessar à humanidade, mas está a dizimar-me.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

A senhora da mercearia sabe de tudo um pouco

Na passada quinta-feira, dia 17, o M. foi tomar a vacina da Gripe A. A quantidade de 'líquido' pareceu-me minúscula, foi rápido, e, até ver, não houve qualquer reacção. Até a zona da picada ficou quase intacta. O enfermeiro que administrou a vacina, daqueles homens de meia-idade, bigode e poucas falas, pôs-lhe um penso a repuxar a pele toda. Quando eu estava prestes a tirar-lhe o penso porque aquilo estava a fazer-me impressão, ele mandou parar. Disse que é suposto ser assim, deve ser uma técnica qualquer para evitar que aquela zona fique inchada, digo eu, uma vez que efectivamente o braço ficou em perfeito estado.

No fim da toma, a enfermeira que estava à secretária, meteu conversa com o M. Perguntou-lhe se tinha namorada. E eu fiquei a olhar para ela com cara de tacho, de certeza. O meu filho pouco fala, se lhe perguntasse a idade ele até saberia responder, agora 'se tem namorada'? Nem sabe o que isso é. Só conhece mamã, mana, Kittys, Winks e afins, ainda não chegou lá... Ela tem um filho com pouco mais de dois anos e contou que ele pouco dizia, mas que uma tia dela, professora primária e com diplomas em não sei o quê que não percebi mas devia ser algo de importância, dizia para ela não se preocupar. Ele percebia o que lhe diziam e isso, segundo ela, significava que o 'foco' da linguagem estava bem, que a fala viria depois... Segundo a enfermeira, quase de um dia para o outro, o filho começou a falar muito, a dizer frases com tempos verbais e tudo. Disse para não nos preocuparmos. Em vão. Preocupo-me na mesma.

O M. saiu do gabinete e teve de ficar um pouco à espera, cá fora, para ver se fazia alguma reacção. Qual quê. Pôs-se logo a correr de um lado para o outro nos corredores e a meter-se com quem por lá andava. Outra enfermeira passou por ele e ficou admirada por ele já ter tomado a vacina, pensava que ainda estava à espera para entrar. Disse que já estava visto que não ia ter ali qualquer reacção. E não teve.

Amanhã vai a M. à vacina, uma vez que alargaram o limite de idade. Não se pense que não tenho algum receio. Claro que tenho, até porque, como já comentei, hoje em dia há vacinas para tudo, há vacinas a mais. Só que, por outro lado, acaba por ser um sossego, principalmente numa altura de pandemia. Tenho mais medo da doença do que da vacina. E se eles tomaram, pela primeira vez, a vacina sazonal, como é que poderia não lhes dar esta vacina para uma doença que tem trazido consigo complicações graves a nível pulmonar? E sou daquelas que acreditam mais no que é veiculado pela OMS do que pela senhora da mercearia: por alguma razão a mulher da mercearia trabalha na mercearia e não na OMS.

Se pudesse também tomava. Desde que tive a M. perdi o medo absurdo que tinha de agulhas. Agora, se for preciso ir, lá vou eu, corajosa e saltitante, em direcção às picadelas. Fiquei triste (pode?!) quando disseram no noticiário que estão a pensar alargar o limite de idade até aos 30 anos. Tenho mais um bocadinho do que isso. Acho que já disse aqui que não sou normal, mas é só para relembrar. :P

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Pequenas conquistas

Identifica praticamente todas as partes da cara e do corpo. Diz pé há muito tempo, por vezes diz mão e ultimamente parece tentar dizer mais algumas partes.

Imita o Sapo. 'Como é que faz o Sapo?', pergunto, e ele faz os gestos do anúncio.

'Canta a Popota, M!' e ele cantarola 'ta-ta ta-ta-ta ta-ta ta-ta-ta'. Também canta os Irmãos Koala e suspeito que aprendeu o 'Pinheirinho' no colégio.

Depois de pedir para o tirar da cadeira do carro (diz qualquer coisa parecida com 'tira'), quer descer dela e saltar do carro sozinho (os meus filhos têm mesmo a mania da independência): conta 'um, dois, três', à sua moda, e salta.

Quantos anos tens? 'Dô!', por vezes acompanhado dos dois dedos indicadores em riste.

Muitas vezes pedimos-lhe que identifique os membros da família. Há dias, por iniciativa dele, identificou todos de seguida, muito satisfeito: mamã, papá, ana (mana/M.), e uma espécie de avô e avó.

Ainda pouco fala e já quer saber ler.:P Estava a M. no banho com ele, a tentar ler o que dizia no sabonete líquido e chega à conclusão que é 'ba-nho!'. O M., quando consegue apanhar a embalagem, imita a irmã, apontando com o dedinho e dizendo 'ba ba ba'. O feito repetiu-se quando a M. estava a ler o título de um livro da Dora. Lá foi ele, a seguir, ler também.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Prognósticos, já se sabe, só no fim

O M. ja fez um EEG há uns meses atrás. O pediatra mandou fazê-lo para despistar possíveis 'ausências'. Mais por insistência da nossa parte, porque, pela nossa descrição, não lhe parecia que fosse o caso.

No dia do exame, a técnica disse que não via nada de relevante no traçado, mas que ainda tinha de ser visto pela médica. Já com o relatório na mão, o pediatra disse que 'ausências' o M. não tem, porque nos exames elas correspondem a um traçado muito específico, o qual não aparecia no do M. Qualquer das formas e, segundo ele, aquele exame acaba por não ser 'nem carne nem peixe' porque revela que pode haver 'qualquer coisa' mas basicamente é inconclusivo (remete para relacionar com a 'clínica demonstrada'). As 'ausências', que era o que poderia ter face aos 'sinais', não tem. O 'qualquer coisa' também não deve ter, pois em princípio apontaria para convulsões daquelas mesmo evidentes, e isso nunca aconteceu. Além disso, sem medicação, a tendência era para os 'sinais' se agravarem, os episódios seriam mais recorrentes, e isso também não aconteceu. Podemos repetir o exame, mas convém deixar passar de seis meses a um ano.

O que é que eu acho? Que ele não tem qualquer forma de epilepsia. Pelo que sei, só há epilepsia quando a um EEG alterado há uma correspondência de crises convulsivas na 'vida real'. Epilepsia no papel sem ter correspondência 'visível' não é nada, e em crianças destas idades o cérebro ainda está em desenvolvimento...

...

Ontem, quando fui buscar o M. para ir ao pediatra, falei com a educadora. Ela deu-me o nome de uma terapeuta da fala que recomenda. Diz que não acha urgente e que se não soubesse que nós, pais, nos preocupamos com a questão na fala, provavelmente nem sugeria nada. Mas que acha que podíamos tentar, porque o M. está bem nas outras áreas e só falta essa. Segundo ela, quem convive com o M. nem se apercebe que ele não fala, porque ele é vivaço e passa a mensagem de outras formas. Diz que o M. está muito bem no comportamento geral e que faz muitas tentativas para falar, já não se irrita a fazê-lo, procura conseguir. Eu também noto isto. Acho que o M. no desenvolvimento global está igual a qualquer outro miúdo, até noto que ele procura mais interacção e brincadeira do que as crianças da idade dele que encontramos. O M. é muito 'dado' e, lá está, está sempre pronto para a 'festa'. As palavras da educadora sempre me tranquilizaram, porque ela passa muito tempo com ele e é muito atenta.

Fomos, então, à consulta com o pediatra, que também costuma ser muito calmo e tranquilizador. Sempre disse que achava que o M. não tinha nada de patológico, que era uma questão de (i)maturidade. Só que, desta vez, o discurso dele foi um pouco diferente. Continua a dizer que acha que é tudo uma questão comportamental/educacional e do desenvolvimento dele, mas que não nos pode garantir que não haja um problema neurológico por trás. Diz que uma lesão neurológica pode estar na origem do problema da fala e de alguma irritabilidade (eu acho que o M. é apenas muito senhor de si, mas posso estar em negação...).

Quanto à terapia da fala, que a educadora sugeriu como algo que poderia dar um 'empurrão e dicas', o pediatra acha que não vale a pena, que só serve para corrigir ou para identificar a origem do problema quando a criança já fala alguma coisa. Quanto ao episódio do vómito, diz que pode ser uma coisa banal, mas também pode não ser (obrigadinha...), mas não deu grande relevância. Ah! Se houver um problema neurológico, ele diz que temos de nos preparar para o M. ter as suas limitações e que só irá até onde pode ir. Aqui eu não sei se o pediatra percebeu que a nível cognitivo o M. está muito bem, pelo menos é isso que vemos em casa e que a educadora vê no colégio. É inteligente, desenrascado, curioso, interessado. O que me preocupa é mesmo 'só' a fala.

Mais uma vez por insistência minha (mas por que é que não me calo?), lá acabou por dizer que podemos fazer uma avaliação com a pediatra do desenvolvimento, que só está lá uma vez por mês e que, por acaso, até vai estar lá amanhã. Só que está tudo cheio, não consegui vaga. O pediatra diz que provavelmente ela vai acabar por recomendar ir ao neurologista e que este talvez mande fazer uma ressonância magnética, mas, que para já, devíamos evitar esse exame porque envolve anestesia e mais não sei o quê e o miúdo ainda é pequeno.

Só uma nota: no fim de Agosto, o pediatra achou que o M. estava mais calmo (na altura, não consegui deixar de rir perante esta observação, porque o M. está cada vez mais reguila) e mais de acordo com a idade dele. Agora pode ter um problema neurológico. Posto isto, vou só ali atirar-me do sofá e volto já.

...

Voltei.
Qualquer dia sou eu que preciso de tratamento.:S Isto de ir aos médicos é vicioso, não acaba, é labiríntico. Por isso é que eu e meu marido temos evitado encontrar-nos com tais seres. É que chegámos à brilhante conclusão de que não chegamos a conclusão alguma. Eu juro que já não posso com eles, e até nem é por causa deles em si, é mesmo pela confusão da 'coisa'. Já fico impaciente perante eles, e isso deve-se notar. É como se diz, qualquer dia se não se morre da doença morre-se da cura.

Para mim, o M. não tem autismo (as coisas que me podiam levar a pensar isso desapareceram), não tem epilepsia, não é hiperactivo, não tem défice cognitivo. Não sei se tem outra coisa qualquer que desconheço e palpita-me que os médicos também não saberão. E isto tudo irrita-me, porque (e como a educadora e eu já concluímos) se fosse há uns anos atrás (não era preciso recuar muito) ninguém pensava que o M. pudesse ter algum problema. Agora é tudo fast e standard, tem de ser tudo fast e standard.

A propósito disso, no primeiro dia de colégio da M., quando foi para a sala dos três anos, a educadora dela deixou-me ficar um pouco na sala, no início. Havia lá um menino 'novo' que ficou a olhar para um lápis como se de um bicho de 52 patas se tratasse. A educadora, inclusive, olhou para mim, do género 'ele não sabe o que é um lápis, aos três anos'... Bolas, que o meu filho sabe o que é um lápis desde que tinha menos de um ano. Quando foi para o colégio, a educadora até disse que o M. fazia uma coisa que os outros, em geral, ainda não faziam: trocar de lápis. Já tinha noção que podia pintar com uma cor, depois com outra, provavelmente por ver a M. a fazer isso em casa. Aliás, a educadora sempre sempre mas sempre disse que a nível cognitivo e social o M. estava a par dos outros. Agora, vou para a pediatra do desenvolvimento avaliá-lo a nível cognitivo? Bem, se eu tivesse levado a M. com esta idade à pediatra do desenvolvimento, não sei se ela 'passava' (LOL), porque ela não ligava a puzzles, a jogos de encaixe e outras coisas que tais. Só queria festa (deve ser genético), saltar, jogar à bola, andar de triciclo, brincar e outras coisas muito pouco intelectuais e de utilidade pública.

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O M. começou a andar tarde, é um facto. Gatinhava como se não houvesse amanhã, mas andar mesmo só aos 17 meses (se pensarmos que o filho da podologista começou a andar aos 18 meses e o meu marido aos 19, até que não está mal). Lá começou meio a medo, mas o certo é que, hoje, trepa sofás e cadeiras, salta, corre, cai e levanta-se num ápice, sobe escadas de escorregas com destreza, tenta subir para a cadeira do carro e salta fora dela. Aliás, ele imita a M. em tudo e consegue fazer quase tudo o que ela faz, o que penso ser bom já que ela tem mais de seis anos, não? O M. não ligava muito a bolas, agora anda atrás delas tipo Ronaldo; andava na mota eléctrica, mas tinha que andar alguém atrás dele, agora vai pegar nela, anda, faz marcha-atrás, sobe e desce passeios, põe-se em pé e quando lhe dizemos para se sentar faz olhar de mafioso e põe-se, claro, em pé... Enfim, não sei o que hei-de pensar.

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Ainda acerca do episódio do vómito de segunda-feira, a minha empregada acabou de me contar que o neto, da idade do M., nesse dia, estava cheio de sono, tanto que adormeceu às 18:30 enquanto ainda estava a ser arranjado depois do banho. Dormiu até às 8:30 do dia seguinte, o que é invulgar nele, já que costuma dormir muito pouco, deita-se muito tarde e levanta-se muito cedo. Pode ter sido, sei lá, devido a uma mudança climatérica? :S

Em relação à tal 'irritabilidade', se o meu é assim, o neto dela não é 'melhor'. Ambos querem lavar os dentes sozinhos, não deixam que alguém os lave. Ambos não se querem vestir de manhã (o neto até dorme vestido para de manhã ser só sair da cama, senão faz birra). Ambos fazem birra se querem ir para a esquerda e nós para a direita. Ambos querem calçar sapatos e vestir casacos para ir à rua, senão lá vem birra. Como o M., o neto dela gosta do banho, mas não quer sair de lá, nem quando a água já está gelada e ele roxo (o M. ainda colabora na saída, tem é que vestir o roupão da mana). E, claro, depois não se quer vestir. Cruza os braços e, geralmente, é preciso haver umas três pessoas disponíveis para o agarrar e vestir (eu, sozinha, ainda consigo vestir o M., embora a custo, já que ele teima em andar nu, frio e engelhado atrás do Homem-Aranha e do Noddy; de vez em quando resolve colaborar, distraído com os desenhos animados dos Irmãos Koala, a ler um livro ou a brincar com uma novidade qualquer).

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Prognósticos, portanto: esperar muito, ansiar mais, ter muitas dúvidas e poucas certezas, pagar bem e ter pouco retorno. Como dizia o outro, é esperar pelo fim do jogo.