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quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Cinco anos e é já!

Neste ano lectivo, o M. (já) foi para o jardim de infância público.

Na passada terça-feira, dia 6, a educadora do prolongamento contou que ele se deita à hora da sesta, mas fica acordado. Disse que devia ser por ser dos mais velhinhos...
Fiquei admirada por ele ser dos mais velhos, já que há miúdos a partir dos três (alguns ainda sem os ter completado), mas como ainda são apenas actividades com a educadora e auxiliares do prolongamento e estão poucos miúdos, podia até ser que fosse dos mais velhos.

Qualquer das formas, perguntei admirada:
- Ele é dos mais velhos?!
- Sim, como já tem cinco anos...
- Cinco? Não, ele tem quatro [já havia dito e essa informação está nas listas, mas a educadora não deve ter fixado] e feitos recentemente!
- Ah! É que ele disse-me que tem cinco anos, e eu acreditei!

[Aqui, fez-se-me luz e quase que me saiu um 'LOL'! :P]

- Ele diz que tem cinco porque quer fazer anos outra vez. Aliás, ontem fizemos bolos e ele queria fazer uma festa de aniversário. Mas não, não tem cinco, ainda há pouco fez os quatro. Pela altura, até podia ter, mas não. :D
- Pois, eu nem estranhei muito porque ele é muito grande, tem corpo de cinco anos.

E, de facto, tem mesmo. 107 cm, aos quatro anos, já é altura de cinco, mas isso 'runs in the family' porque com a irmã é a mesma coisa. Praticamente rebentam como os percentis das alturas e as etiquetas das peças de roupa só servem mesmo para fazer comichão, porque os anos/cm que lá aparecem não nos oferecem orientação alguma.;)

Depois, já no carro:
- M., quantos anos tens?
- Cinco! [Ele ainda não pronuncia correctamente a palavra, mas percebe-se bem que é 'cinco'.]
- Não tens... Tens quatro anos!
- Não. [Here we go again.]
- Sim. Tens quatro.
- Não tem!
- Não é não tem, é não tenho. E tens, tens quatro anos.
- Não tenho. É cinco!
- Não é, tens quatro! Ai!
- Depois cinco?
- Sim, depois vais fazer cinco.

A juntar às taras da Bracalândia e da Disney, ainda há esta do querer fazer cinco anos. Passa a vida a dizer que 'quatro anos já 'tá' e que agora vai fazer cinco e quer um bolo e uma festa e mais não sei o quê. O 'problema' dele é a teimosia. Teimoso teimoso até mais não.



segunda-feira, 5 de setembro de 2011

E agora é o Natal...

Ele:
- O Pai Natal vem aí.
Eu:
- Não...
- Tim.
- Não é tim, é sim., mas não, não vem.
- Xiiiim!
- Não é xim, é sim, e não, não vem.
- Sssssssim!
- NÃO!
- Depois?
- Não.
- Logo?
- Não. Falta muuuuuito tempo.
- Não, o Pai Natal vem já.
- Não, só vem quando estiver muito frio e chuva e escuro e montarmos a Árvore de Natal...
- O Pai Natal vem já... no escuro... hoje.
- Não é hoje.
- É.
- Não é.
- É.
- Tá frio.
- Não está, tem que estar mais frio.
- Tá muito frio [e faz de conta que tem frio].
- Tem que estar mais, não é agora.
- É.
- Não é.

E continua indefinidamente até me pôr k.o. Noutros tempos, diríamos que ele não ouvia bem, que não percebia bem e/ou que tinha um ou mais possíveis problemas neuropsicológicos. Agora a conclusão é que ele é chato, teimoso, não se cala até levar a dele avante e não quer saber dos argumentos dos outros. É que é pela exaustão. Vislumbro-lhe uma profícua carreira política. ;)

[Bem, temos de admitir que tecnicamente ele é um homem e o Natal é quando um homem quiser.;)]

sexta-feira, 22 de julho de 2011

What´s your name?

Chego ao colégio e ele está todo sujo de alto a baixo, parece que não toma banho e não troca de roupa há um mês. Ou seja, acaba de chegar de mais um dia de praia. ;)

Lá foi buscar a mochila ao cacifo. E, nisto, começa a dizer os nomes dos respectivos donos dos restantes cacifos (da salinha dele). Cada cacifo tem a sua etiqueta com o nome, tendo alguns o nome e o sobrenome para haver diferenciação. Alguns tinham pertences, mas a maioria estava vazia. É verdade que já lhe disse algumas vezes o 'nome' de cada cacifo, mas não me lembro de ter dito os sobrenomes , pelo menos todos. Por isso, fiquei sem perceber se decorou simplesmente o sítio em que está cada um ou se chega lá pelas letras/palavras.

Viva a Pitta :)

Pizza:
Ela dizia com dois 'ss'.
Ele diz com dois 'tt'.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Pequenas conquistas

Identifica praticamente todas as partes da cara e do corpo. Diz pé há muito tempo, por vezes diz mão e ultimamente parece tentar dizer mais algumas partes.

Imita o Sapo. 'Como é que faz o Sapo?', pergunto, e ele faz os gestos do anúncio.

'Canta a Popota, M!' e ele cantarola 'ta-ta ta-ta-ta ta-ta ta-ta-ta'. Também canta os Irmãos Koala e suspeito que aprendeu o 'Pinheirinho' no colégio.

Depois de pedir para o tirar da cadeira do carro (diz qualquer coisa parecida com 'tira'), quer descer dela e saltar do carro sozinho (os meus filhos têm mesmo a mania da independência): conta 'um, dois, três', à sua moda, e salta.

Quantos anos tens? 'Dô!', por vezes acompanhado dos dois dedos indicadores em riste.

Muitas vezes pedimos-lhe que identifique os membros da família. Há dias, por iniciativa dele, identificou todos de seguida, muito satisfeito: mamã, papá, ana (mana/M.), e uma espécie de avô e avó.

Ainda pouco fala e já quer saber ler.:P Estava a M. no banho com ele, a tentar ler o que dizia no sabonete líquido e chega à conclusão que é 'ba-nho!'. O M., quando consegue apanhar a embalagem, imita a irmã, apontando com o dedinho e dizendo 'ba ba ba'. O feito repetiu-se quando a M. estava a ler o título de um livro da Dora. Lá foi ele, a seguir, ler também.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Juntar as peças

A auxiliar da sala do M. disse-me que na sexta-feira estava a dar água aos meninos e que o M. lhe pediu:
- Ti, áua! [Tina, água!]
Ela diz que até olhou para a educadora, para ver se ela também tinha percebido, e que a educadora fez-lhe um gesto a mostrar que sim.

É notório que o M. se esforça mais fora de casa. No colégio, com os avós ou com desconhecidos. Então com desconhecidos, é vê-lo a dizer dezenas de 'olás' e até mesmo 'andas' ('ana', na linguagem dele, acompanhado da mão a fazer o gesto).

Nunca o ouvi a pedir água. Pega na garrafinha e bebe; ou aponta para a garrafa/copo e emite uns grunhidos impacientes ou diz 'dá'; ou pega no copo, sobe a uma cadeira e tenta pegar no recipiente da água para enchê-lo (não consegue, que o recipiente é pesado, por isso... grunhe :S).

Perguntei à auxiliar se o M. costuma chamar por ela ('Ti') e ela diz que sim. Cá por casa, quando quer alguma coisa, muitas vezes diz 'ati', o que eu pensava ser o nome dele, do tipo 'dá ao ati'). Agora estou na dúvida, será que o que ele está a dizer não é o nome dele, mas sim o nome da auxiliar? Do género, 'quero a Ti', ou então pensa que 'Ti' é qualquer coisa que significa o mesmo que 'dá'? Só dúvidas... Hoje vou tentar falar melhor com ela sobre isso.

No fim-de-semana, o M. foi à cozinha, pegou numa banana e disse 'nana', ao mesmo tempo que a trazia para eu lha dar. E, ao mostrar-lhe um cartão dum jogo do Noddy, que tinha uma maçã, ele repetiu o meu 'maçã' com um 'çã' ou 'açã', som que nunca o tinha ouvido dizer. Serão coincidências? O certo é que estes momentos são tão escassos... E ainda há aquilo que não percebo bem se disse ou não, como me parecer que já disse borboleta, sapato, casaco e dói-dói, tudo na liguagem dele, claro. Mas é tudo tão incipiente... Tento ficar feliz com estes pequenos avanços, mas a preocupação leva a melhor.

Ontem, estava a brincar com ele, com um jogo que tem um tabuleiro e uma peças magnéticas em forma de carros. Digo-lhe sempre 'pó-pó', mas, para variar qualquer coisinha, comecei a dizer-lhe 'pó-pó azul', 'pó-pó vermelho' e assim por diante. Ele acena com a cabeça, a dizer que sim, mas não sei ao certo com que intenção o faz. Colocámos três carros azuis juntos e disse-lhe que eram todos azuis. E ele apontou e disse 'zu'. Depois, para meu espanto, olha para o meu pijama e aponta para uma lua azul e ri-se, depois aponta para um urso azul. Não pode ser coincidência, pois não?

Noto no M. um crescente (ou será apenas mais notório) problema com níveis de frustração. Não sei se é por não falar que tem esse problema, ou se é por causa desse problema que não fala. O certo é que é capaz de se ocupar por bastante tempo a fazer alguma coisa que lhe corra bem. Mas, se não consegue, como quando falha em colocar uma peça num puzzle, desiste e vai logo fazer outra coisa qualquer. Por vezes, até puxa o cabelo ou belisca-se. Nada de mais, mas é evidente. Se calhar noto mais agora, porque começou a fazer mais puzzles, desde que os pus mais à mão. Os que são para a idade dele ou mesmo alguns para três anos, até lhe correm muito bem. Mas se vai buscar puzzles mais complexos ou se não consegue encaixar uma peça, desanima. Não se isola, geralmente vai buscar outra coisa qualquer para brincar connosco ou ao nosso lado. Acho que nas crianças pequenas é normal esta frustração, mas como aqui o caso está um bocadinho mais complicado, a preocupação também aumenta.

Quando me lembro da M., na idade dele, era o mesmo ou pior. Ainda hoje, se for a ver, a M. tem a mania que tem de ser a melhor e não lida bem com a frustração. (Será que alguém lida?) Quando era pequena, nem pegava em puzzles. Só muito tarde consegui que sossegasse e mostrasse interesse em que lhe contasse histórias. Andava sempre de um lado para o outro, sempre foi muito 'física'. Pedalava no triciclo como ninguém, mas não ligava à TV nem aos peluches nem aos jogos, pouco aos livros. Queria andar sempre aos saltos e era (é) um despacho.

Acordava e não chamava por ninguém. Berrava. E só se calava com o biberão na boca. Era difícil vesti-la e penteá-la, tal a energia. No colégio, disseram sempre que não era hiperactiva, apenas com muita vida. Hoje, confirma-se. E que brincava muito sozinha (provavelmente por fazê-lo em casa), mas também brincava com os outros (basicamente com os maiores, até fugia para a sala dos grandes). Insistiam nisto, que ela brincava muito sozinha, mas também acompanhada. E eu, ainda pouco informada destas coisas comportamentais, perguntava-me 'mas por que raio insistem em dizer que também brinca acompanhada, qual era o problema se brincasse sozinha?'. Juro que na altura não percebia. Para mim, uma criança pequena brincar sozinha parece-me tão normal. Porque, como diz o pediatra, antes dos dois anos, o conceito de socialização delas ainda é rudimentar. E, claro, como ela era cheia de vida, não me passava pela cabeça que pudesse ter algum problema (a não ser a infindável energia).

...

Com tanta dispersão por parte do otorrino, na consulta esqueci-me de falar com ele sobre o mais importante. Sobre a interpretação do exame auditivo, que ainda não fizemos. Basicamente, só tínhamos falado ao telefone sobre isso. Queria saber até que ponto é que aquele exame nos pode dar alguma indicação sobre o nível de audição do M. antes da cirurgia. E queria também preceber por que é que supostamente o restabelecimento da audição é imediato com a cirurgia, e afinal depois venho a descobrir que não é bem assim. Que o exame só deve ser feito pelo menos um mês depois da cirurgia para que os resultados sejam fiáveis. É contraditório e gostava de perceber a lógica. Por isso, vou ter de fazer um sacrifício e acompanhar o meu marido, na quinta-feira, quando for ao otorrino tirar o (último) silicone que ainda tem no nariz. Vou levar o relatório do exame e ver se consigo retirar do médico alguma informação objectiva sobre o assunto, que é isso que pretendo dele, e não aventuras noutros campos da medicina (acho que ele deve ser um Indiana Jones reprimido :P).

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Brother & sister

A educadora do M. diz que notou uma grande diferença no M. depois da operação. Perguntou se nós não notámos. Diz que fala com ele como fala com os outros meninos, e o M. percebe o que ela quer e faz. Diz que já não precisa de puxar pela voz, deixou de ter de gritar. Quando o M. fugia para o parque, ela tinha de chamá-lo várias vezes e muito alto até que ele ouvisse, agora chama-o como chama os outros e ele ouve. Diz 'vamos fazer um desenho!' e o M. vai. Pede brinquedos apontando para o que quer (quando estão nas prateleiras), brinca muito às comidas e até lhes vai mostrar o prato e os talheres, gosta de se enfeitar com fitas no cabelo (em casa também o faz, influências da mana), e veste e despe as bonecas.


Pedi à educadora para espreitar o M. quando ele estava na sala, sem que ele me visse. Queria ver o seu comportamento. A educadora disse à auxiliar para se sentarem todos juntos e para dar um brinquedo ao M. Deu-lhe uns copos empilháveis. O M. começou a brincar, todos os meninos puseram-se à volta dele a observar, um deles tirou um copo ao M. e o M. tirou-o de volta. Depois dispersaram. Um menino foi ter com o M. para lhe tirar o copo que tinha na mão e o M. ficou na dele, mas quando a auxiliar disse 'vai tirar o copo ao A.!', o M. foi ter com o A. e tirou-lho. A educadora acha que o M. está a par dos outros a nível cognitivo e social. Só não fala.


Em casa, o M. tem estado muito mais atento à televisão, principalmente aos bonecos, à menina russa e aos... políticos e afins. :S Imita os políticos a falarem (na linguagem dele) e faz os mesmos gestos (acena com o dedo indicador e cerra os pulsos) para dar ênfase ao que está a dizer. lol Nunca tive muita necessidade de ralhar com o M., mas como ele está a crescer e até pode não ouvir bem mas tem de conhecer os limites, por vezes zango-me com ele. Ele fica sentido, enerva-se e cerra os pulsos e os dentes um bocadinho, para libertar a 'raiva'. Mas passa-lhe depressa, porque não consegue ficar sério muito tempo. Quando se deita no chão a fazer birra (coisa rara também), dura uns cinco segundos porque olha para nós, desata a rir, levanta-se e arranja algo com que se ocupar.


Ontem, quando saímos do colégio, a mana começa a fazer uma dança muito esquisita, tipo selvagem (ela é assim lol) e a emitir uma espécie de sons à homem das cavernas. O M. começa a dançar como ela e... emite exactamente os mesmos sons! À noite, pareceu-me que o M., quando estava a adormecer, estava a ouvir o som da etiqueta da fralda de pano. Ele mexeu na etiqueta sem querer e, como estava tudo silencioso, aquele som baixo era fácil de identificar - pareceu mesmo que ele ficou atento ao som. Também parece que tem prestado atenção ao barulho do papel quando está a ver os catálogos e as revistas. E pega na embalagem (metálica) da água do mar, tira-lhe a parte de cima de plástico e começa a bater uma na outra. O som até é um pouco seco e 'leve', mas ele gosta de fazer isso e ri-se de satisfação. Ainda ontem à noite, ele pôs os copos de plástico dele e da mana em cima da mesa, mas eles tombaram, rolaram e caíram ao chão. Fizeram barulho, claro, e o M. assustou-se. Já repetiu o 'anda!', dirigido à irmã e acompanhado pelo respectivo gesto, quando ele estava entre mim e ela, e ela não obedecia ao meu 'anda!'. E a auxiliar da sala do M. diz que o chamou para mudar a fralda e que ele disse uma palavra que lhe pareceu ser o nome dele. São tudo bons indícios, claro, mas o meu marido diz que eu sou como o otorrino... céptica. Admito que sim, mas não quero (des)iludir-me.

O certo é que ele está muito mais presente, mais cá, mais atento, mais comunicativo. Tenta falar na linguagem dele, utilizando entoações diversas e gestos. Até vai dar estaladas à irmã, coitada (ela não se importa muito, ele não a magoa, mas não pode ser), quando ralho com ela.


A mais velha está grande, muito grande, e com a mania de que sabe falar inglês (e até sabe). Agora anda a dizer os nomes das divisões da casa e dos membros da família em inglês (o mano é baby e brother). Ontem à noite perguntou-me se podia ir para a living-room. Confesso que tive de pensar um pouco antes de responder, pois não estava à espera de uma frase poliglota. ;) Tem seis namorados (devem ser os rapazes todos da sala e eles confirmam) e diz que ainda vai ter mais porque tem de ter muitos, tem de ser a que tem mais, basicamente tem de ganhar. Ela tem de ser sempre a maior e a mais forte, mesmo que isso implique atitudes socialmente menos correctas como ter um número infinito de namorados. Estou tramada. :P

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Ponto da situação

O M. foi operado na passada terça-feira, há quase uma semana portanto. A cirurgia correu bem, foi de manhã, e à noite já estava em casa. Dormiu a noite toda. O acordar depois da operação foi um pouco complicado e incluiu uma veia a deitar sangue tipo esguicho, porque o cateter saiu, e eu a estancar o sangue com a fralda de pano do M. Não foi bonito. :S

O otorrino passou no quarto por volta da hora de almoço e queria ver se o M. já ouvia melhor. O M., se já dorme muito, então com uma anestesia em cima ainda dorme mais, e é claro que não ia acordar. Ainda se tentou levantar e disse qualquer coisa na linguagem dele acompanhando com uma explicação com as mãos, mas depois disso 'caiu redondo' na cama. Eu acho que ele nos estava a ouvir a falar e levantou-se para 'falar' também, mas não conseguiu porque estava perdidinho... Enquanto continuámos a falar, ia abrindo os olhos, mas depressa voltava a adormecer.

Ficou um dia em casa e já estava farto. Ia buscar os meus sapatos para ir à rua, pegava nas chaves e coisas assim... Por isso, na quinta-feira foi para o colégio, com autorização do otorrino. Nada de dietas. No primeiro dia foi mais à base de líquidos frios, mas dei-lhe miolo de croissant à sucapa, que ele estava cheio de fome e pedia. No dia seguinte já estava tudo normal.

Descobri que ele reconhece uma galinha. Faz 'põe, põe' com o dedo e a mão quando vê uma (em desenho) e diz 'p,p,p'. Tem dançado ao som da música no colégio e em casa. Não nos parece que seja por 'imitação', parece ouvir. Já lhe saiu um 'anda' dito à mana e outro ao pai. No caso da mana, eu estava com ele à beira das escadas para irmos jantar, e eu estava a dizer 'anda M.!' à irmã; só que ela não vinha porque estava a brincar; ele largou a minha mão, foi ter com ela e disse um 'anda' que me pareceu quase perfeito. Com o pai, a situação foi idêntica e ocorreu hoje de manhã, quando o M. queria que o pai fosse com ele. Não sei se ando a imaginar coisas, mas que foi uma palavra parecida com 'anda', foi. A educadora diz que agora ele reage sem ser preciso falar tão alto como antes. Diz que o manda colocar a presença dele no quadro, conforme manda aos outros, e ele vai logo. Antes da cirurgia, em três dias diferentes acordámo-lo com estalar de dedos, em diferentes intensidades, e ele acordou sempre. Numa das vezes, com um único estalar de dedos mais sonoro, até saltou da cama com o susto.

Hoje de manhã, fomos à consulta pós-cirúrgica. O otorrino disse-lhe 'olá' e o M. não lhe ligou. O otorrino acha que o M. não o ouviu. Eu acho que ele estava era distraído a fazer 'olhinhos' à funcionária que (ainda) estava do lado de fora do consultório. Depois, como eu disse que o M. tem reagido ao toque do meu telemóvel, o médico telefona-me. O M., que estava a ler o seu livro, faz uma cara diferente mas continua nos seus afazeres. O médico conclui que ele não ouve, pois claro. Eu acho que o M. acha uma seca estar lá e quer é vir embora. O otorrino lá se meteu com o M. e aí ele riu-se (finalmente uma coisa divertida, deve ter pensado), depois dei-lhe o meu telemóvel e começou a 'falar' colocando-o ao ouvido.

No final da consulta, o otorrino disse 'xau, M.!' sem fazer gestos e o M. levantou logo a mão para acenar (como quem... 'finalmente!'). Ninguém reparou se o M. estava a olhar para o otorrino quando ele falou, mas achamos que não, que ele até estava a olhar para baixo. O otorrino disse outra vez e o M. voltou a acenar. Conclusão do otorrino: 'ele pode saber ler os lábios'. Ok, aqui só me apetecia dar-lhe uma marretada! Já fartinha, virei-me para o M. e disse 'dá miminho à mamã!'. E ele esticou a mão (estava no carrinho de passeio) para me fazer um miminho, não descansando até eu me baixar para me passar a mão pela cara. Será que ele também leu nos lábios uma frase dessas, ainda por cima pronunciada relativamente depressa? E 'xau', lido nos lábios, não podia ser outra coisa qualquer que não xau? E quando acorda com o estalar dos dedos está a ler o quê, a 'Maria'? Qualquer das formas, o otorrino disse que já estava mais contente quando o M. teve estas reacções. Pois, é que o M., ouça bem ou menos bem, não deixa de ser criança, reagindo apenas àquilo que lhe interessa ou desperta a atenção...

Acho que o médico queria que o M. acordasse da cirurgia e dissesse logo 'olá sr. doutor, como tem passado?'... Nós continuamos com muitas dúvidas sobre o nível de audição do M., mas é verdade que ele está melhor. Por exemplo, ontem ele estava sentado na cadeira da papa, de costas para a porta da cozinha, e esta emite um 'estalinho-daqueles-que-a-madeira-faz-quando-está-muito-calor', e o M. vira-se logo para trás. O som não foi alto, mas foi um som diferente, que provavelmente despertou a atenção do M. Parece que o otorrino está à espera que o M. esteja sempre a virar a cabeça para tudo o que é sítio de onde tenha vindo som. Se o M. já conhece o som do meu telemóvel, não pode simplesmente não lhe ligar porque já o conhece, não é nada novo ou interessante? E quanto ao ler lábios, já disse 'miminho' ao ouvido do M. e ele fez. No fim-de-semana, o M. estava a brincar no quarto e eu disse-lhe 'vamos, anda e outras coisas que tal'; não me ligou, mas quando eu disse 'vamos ao papá!', deixou de fazer o que estava a fazer e foi ter com o pai. (Não leu os lábios, acho que até estava de costas.) Por isso, ou são tudo grandes coincidências ou o M. até ouve melhor do que pensamos.

A minha empregada diz que tem um irmão que só começou a falar aos quatro anos. Diz que só apontava para o que queria e nada dizia. Depois, começou a falar e correu sempre tudo bem. Eu acho que o M. é um bocado 'parado', principalmente quando está mais sozinho. Ele gosta é de estar com muita gente, é sociável e comunicativo (olha muito nos olhos, ri-se, faz gracinhas, passa a mão nas pernas das raparigas ;), chama a atenção das pessoas de várias formas), mas, ao mesmo tempo, sempre foi muito dorminhoco, calmo e observador. E se está empenhado em qualquer coisa, não nos liga, parece que não nos está a ouvir nem a ver (e não posso concluir que seja cego porque não liga aos meus gestos). Por outro lado, se interrompo o que ele está a fazer, não 'stressa', até se ri e começa a fazer gracinhas. Continuamos com a hipótese de autismo, mas tanto a mim como à educadora parece-nos quase impossível que seja isso, porque as únicas 'pistas' são ele ainda não falar e parecer não ouvir bem. O otorrino diz que há crianças muito enérgicas e há outras que são mais calmas, mais contidas, que se distraem muito, por uma questão de temperamento apenas, mas que é necessário averiguar se há alguma lesão auditiva (ou doutro género) para ficarmos tranquilos. E nós concordamos.

Sendo assim, o próximo passo é fazer um exame em que o M. tem que estar a dormir (naturalmente ou com anestesia) para analisar o seu potencial auditivo. Vamos fazê-lo na sexta-feira à tarde.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

A primeira palavra dele

foi 'olá', por volta dos três meses e meio. Até hoje, continuou sempre a dizê-la e sempre no contexto certo.
Há uns dias, parece que aprendeu a sua segunda palavra: 'papá'. Ainda não sei se percebe de quem é que está a falar, mas o certo é que 'mamã' nem se vislumbra no horizonte. :S
Também diz 'tata', há já bastante tempo, e parece que se refere à mana.