segunda-feira, 3 de maio de 2010

De dar uma trinca

Chegaram há já algum tempo. Estão lavados, passados e guardados, à espera do Verão. Ainda não chegou a saia de tule violeta para colocar debaixo do vestido às bolas, que lhe há-de conferir ainda mais graça. O que gostava mesmo era de encomendar quase todos os vestido do catálogo, mas, a verdade, é que não teriam muito uso numa rapariga que adora calções, manga curta e futebol. Lá terá de ir à missa com estes dois e com outros que pelo armário dela apareçam.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Por que é que a gaja não existe, hã?!

Choradeira de todo o tamanho, hoje de manhã.
A M. descobriu que a Fada dos Dentes não existe. Afinal, quem lhe colocava as moedas debaixo da almofada e levava os dentes era... a mãe. E quem teve de lhe fazer esta revelação foram os próprios pais.

A culpa é do Plano Nacional de Leitura e da professora :P, que, na passada sexta-feira, enviou um livro sobre lendas do mar para ler em casa. E lá vêm as sereias.
- Existem?
- Não, são seres imaginários, como os dragões.
- Os dragões também não existem?
- Não. Então, existiram?
- Não.
- Não pode ser, blá blá blá, existiram, existiram.
[Aqui tem influência, de certo, a paixão pelo FCP].
- Não, não existiram.
- E os dinossauros?
- Esses existiram, mas já não há.
- Pois, e os dragões também existiram, mas já não há.
- Não, esses nunca existiram.

A última lenda do livro é sobre a fada das ondas.

- Ah e tal, mas as fadas existem, não existem?
- Huuummm, deixa ver, hummm, mais ou menos, hummm não.
- Existem!! Porque a fada dos dentes existe! Foi à minha cama e deixou moedas! O primo G. disse que ela não existe, mas ele não sabe, pois não? Ainda não lhe caiu nenhum dente, ele não sabe.
- Ele já sabia este segredo, porque é mais velho.
- Não é nada!!! Tem seis anos como eu!!!
- Pois tem, mas é um mês mais velho, por isso já sabia.
- Não quero que ele seja mais velho do que eu!!!!!!!!!!!!!!!! Quero ser mais velha do que ele!!!!!!!!!!! Buááááááá!!

[Entretando, tinham-me nascido mais um cabelo branco e duas rugas.]

Pronto, lá tivemos de lhe explicar que é só uma história que se conta às crianças pequenas e que ela já é grande, por isso já pode saber o segredo.

Chorou, chorou, chorou.

- É a mãe que guarda os dentinhos e põe moedas, porque tu nasceste da mãe e já tinhas os dentes. 'Vieram' da mãe blá blá blá whiskas saquetas blá blá blá.
- Eu não quero que sejas tuuuuuu!!!! Não!!!! E o Pai Natal?
[Uuuuuuuuuuuuuuppppppppppppssssssssssssssss]
- Eu quero ver o Pai Natal!!!!!!!!!!!!!!! Quero dar-lhe um beijo quando vier cá a casa!!!! Vou ficar nas escadas à espera!!!!!!!!!!!! Ele existe!!!!!!!!!!!!!!

O Pai Natal ficou para depois. O choque já foi suficiente. Foi ficando melhor quando insisti que tinha de guardar o segredo sobre a Fada dos Dentes, para que as crianças mais pequenas, inclusive, o mano, não o descubram. Quando os dentes do mano caírem (coitado, os últimos dentes ainda estão a acabar de crescer e já têm sentença), ela vai ajudar-me a guardá-los e a colocar moedas debaixo da almofada. Depois, quando ele for maior, vamos contar-lhe o segredo.

- Onde é que guardaste os dentes?
- Numa caixinha.
- Quero ver!

Desmistifiquei a Fada dos Dentes. Já não lhe encontro piada alguma. Sou uma fadacida.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Tem pouco mais

de seis anos e meio, a menina. Entrou para o primeiro ano do primeiro ciclo do Ensino Básico (não era tão mais fácil dizer apenas 'primeira classe'?) em Setembro do ano passado. Devido às vicissitudes da vida, acabou por ir para outra escola que não aquela que estava 'programada'. Tudo novo. Escola nova, professora nova, auxiliares novas, colegas novos. Novos significa desconhecidos. Penso que o facto de ser ao lado de casa facilitou muito.

Como sempre, travou logo amizade com os rapazes. Acho que os escolheu pelo desenho das mochilas. Um tinha uma do Homem-Aranha, outro uma dos Cars. Sempre adepta de super-heróis e coisas sobre rodas, ganhou dois amigos instantâneos. Hoje em dia, é 'professora' de um deles, uma vez que a professora os distribuiu pelas carteiras, aos pares, sendo um 'melhor' do que o outro, para que o primeiro auxilie o segundo quando necessário.

Na reunião pós primeiro período, a professora descreveu-a como sendo muito respeitadora e trabalhadora. Disse que a turma no geral é boa, mas que ela é excelente. Que mesmo quando os bons alunos precisam de um empurrão, ela consegue lá chegar sozinha. Segundo ela, é a filha que qualquer pai gostaria de ter e pensa muitas vezes na sorte que teve ao calhar na turma dela.

Por ironia do destino (tendo em conta as suspeitas que tivemos em relação ao irmão), a escola para a qual teria ido e que acabou por não ir é a única da região que integra uma unidade de ensino a crianças com autismo. Continuando com a ironia, na escola onde está tem na sala uma menina com surdez, que precisa de NEE. Descreve-a da seguinte forma: 'Ela não ouve como nós, mas faz tudo bem e depressa'. Acho que as turmas com crianças com NEE deviam ser a regra, assumindo que houvesse condições para o efeito, e não a excepção, o 'vamos lá porque tem de ser'.

Nos intervalos, joga sempre futebol. Quer treinar muito para ser boa jogadora e guarda-redes. A professora diz que lhe acha um piadão, porque apesar de ser muito dedicada na sala de aula, chega ao recreio e é logo a primeira a pôr todos a jogar futebol. É um despacho, sempre foi.

Na escola aprenderam 19 letras, mas já lê tudo. Palavras complicadíssimas, livros inteiros. De vez em quando, aparece alguma dificuldade, mas esclarece a dúvida e segue. Lê com rapidez e autocorrige-se quando pronuncia mal uma palavra. É curiosa, persistente, teimosa, perfeccionista.

Relembro-lhe, mas nem era preciso, que a vida não pode ser só estudar, também é muito importante brincar. Ela diz que já sabe e é verdade. Faz os trabalhos de casa bem e depressa, regra geral, e depois vai treinar mais com a bola de casa ou vai ver desenhos animados enquanto os imita saltando no sofá até ficar transpirada. Aí, alguém ralha com ela porque também não é preciso tanto. Provavelmente, segue em direcção ao quadro de brincar, pega no giz e faz exercícios de Língua Portuguesa ou de Matemática. Nós somos os alunos. Ela é exigente e nós acabamos por ficar aborrecidos e dispersamos, pelo que continua sozinha ou vai brincar com o irmão. É quase certo que coloca a sua fralda de pano às costas, tipo capa, e a fralda de pano do irmão nas costas dele, também tipo capa, e fingem que são super-heróis.

Acredita que a fada dos dentes levou os quatro dentes que já caíram e deixou ficar moedas em troca, e que o Pai Natal existe e sabe tudo. Continua muito zangada com o rei mau que matou Jesus, e faz tudo para poder ajudar o senhor padre na missa das crianças. Adora comer e até dorme bem, mas é mais por interesse uma vez que já sabe que tem de dormir muito para ser grande e forte.

É a minha filha.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

É Carnaval, Papai e mamãe

Há poucos meses, resolvi que já era mais do que altura para o M. chamar 'papá' e 'mamã'. Ele já dizia as palavras, mas não no sentido de nos chamar, dizia mais para ele do que para nós. Até que, falando com a educadora, disse-me que o M. chamava por uma das auxiliares da sala. O M. gosta muito dela e, como ambos são muito 'dados', passam a vida aos beijos, abraços e rebolanços. :) Chama-se Cristina e a educadora disse que o M. a chamava com uma palavra que não sabia bem descrever mas que tinha três sílabas e que era parecida com Cristina.

Ora, perante isto, pus-me a pensar que talvez o M. estivesse a ficar mais predisposto para chamar pelos nomes das pessoas. Certo dia, quando estávamos a trocar-lhe a fralda, o pai foi embora e, claro, o M. começou a stressar, a apontar e a refilar, mas nada de dizer 'papá'. Disse ao meu marido para só se virar quando o chamassem 'papá'. Chamei 'papá, papá' e o meu marido virou-se. Repetiu-se a cena e depois insisti com o M. para que fosse ele a chamar 'papá'. Ele fê-lo uma vez e desde aí nunca mais parou. Poucos dias depois, e eu já chateada porque era só 'papá' para aqui e para acolá, resolvemos fazer o mesmo mas para 'mamã'. Resultou e nunca mais parou. Mais tarde, foi a vez de 'avô' e 'avó', pronunciados com 'b', e de 'mana' (nana).

Há pouco tempo, o M. surpreendeu-nos ao chamar 'pai'. O meu marido lá disse que não era a primeira vez que ele dizia uma palavra qualquer e depois não voltava a repetir, mas eu insisti que ele andava a repetir a palavra várias vezes e era a referir-se a ele. Não o convenci. Nisto, e também ao trocar a fralda, o meu marido sai, fecha a porta, e o M. chama 'pai'. O pai volta e o M. torna a chamar várias vezes 'pai'. Mais tarde, e sem insistência nossa, começa a chamar 'mãe'. E sempre muito feliz ao dizer 'pai' e 'mãe', deve achar piada às palavras novas.

Ultimamente, inovou e fez uma espécie de miscelânea, pelo que somos, agora, 'papai' e 'mamãe', à brasileiro mesmo. Deve ter andado a treinar para o Carnaval. :P Hoje, lá foi para a festinha de Carnaval do colégio, apesar de ter sido uma noite péssima com ele sempre a tossir e a vomitar alguma expectoração (devo confessar que fico 'feliz' com estes vómitos úteis em que praticamente não sai comida mas sai a viscosidade :S).


[CSR, p.f. manda-me um mail ou um convite para o teu blog, uma vez que não tenho o teu contacto.]

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Em piloto automático

Gostava de adormecer e só acordar quando o meu filho falar (o que significaria vê-lo mesmo bem).

Eu sei que há situações muito mais complicadas, que há milhões de pessoas a morrer à fome e que houve um terramoto catastrófico, mas não consigo ficar mais feliz ou menos infeliz por causa disso. O que se passa aqui pode nada interessar à humanidade, mas está a dizimar-me.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

A senhora da mercearia sabe de tudo um pouco

Na passada quinta-feira, dia 17, o M. foi tomar a vacina da Gripe A. A quantidade de 'líquido' pareceu-me minúscula, foi rápido, e, até ver, não houve qualquer reacção. Até a zona da picada ficou quase intacta. O enfermeiro que administrou a vacina, daqueles homens de meia-idade, bigode e poucas falas, pôs-lhe um penso a repuxar a pele toda. Quando eu estava prestes a tirar-lhe o penso porque aquilo estava a fazer-me impressão, ele mandou parar. Disse que é suposto ser assim, deve ser uma técnica qualquer para evitar que aquela zona fique inchada, digo eu, uma vez que efectivamente o braço ficou em perfeito estado.

No fim da toma, a enfermeira que estava à secretária, meteu conversa com o M. Perguntou-lhe se tinha namorada. E eu fiquei a olhar para ela com cara de tacho, de certeza. O meu filho pouco fala, se lhe perguntasse a idade ele até saberia responder, agora 'se tem namorada'? Nem sabe o que isso é. Só conhece mamã, mana, Kittys, Winks e afins, ainda não chegou lá... Ela tem um filho com pouco mais de dois anos e contou que ele pouco dizia, mas que uma tia dela, professora primária e com diplomas em não sei o quê que não percebi mas devia ser algo de importância, dizia para ela não se preocupar. Ele percebia o que lhe diziam e isso, segundo ela, significava que o 'foco' da linguagem estava bem, que a fala viria depois... Segundo a enfermeira, quase de um dia para o outro, o filho começou a falar muito, a dizer frases com tempos verbais e tudo. Disse para não nos preocuparmos. Em vão. Preocupo-me na mesma.

O M. saiu do gabinete e teve de ficar um pouco à espera, cá fora, para ver se fazia alguma reacção. Qual quê. Pôs-se logo a correr de um lado para o outro nos corredores e a meter-se com quem por lá andava. Outra enfermeira passou por ele e ficou admirada por ele já ter tomado a vacina, pensava que ainda estava à espera para entrar. Disse que já estava visto que não ia ter ali qualquer reacção. E não teve.

Amanhã vai a M. à vacina, uma vez que alargaram o limite de idade. Não se pense que não tenho algum receio. Claro que tenho, até porque, como já comentei, hoje em dia há vacinas para tudo, há vacinas a mais. Só que, por outro lado, acaba por ser um sossego, principalmente numa altura de pandemia. Tenho mais medo da doença do que da vacina. E se eles tomaram, pela primeira vez, a vacina sazonal, como é que poderia não lhes dar esta vacina para uma doença que tem trazido consigo complicações graves a nível pulmonar? E sou daquelas que acreditam mais no que é veiculado pela OMS do que pela senhora da mercearia: por alguma razão a mulher da mercearia trabalha na mercearia e não na OMS.

Se pudesse também tomava. Desde que tive a M. perdi o medo absurdo que tinha de agulhas. Agora, se for preciso ir, lá vou eu, corajosa e saltitante, em direcção às picadelas. Fiquei triste (pode?!) quando disseram no noticiário que estão a pensar alargar o limite de idade até aos 30 anos. Tenho mais um bocadinho do que isso. Acho que já disse aqui que não sou normal, mas é só para relembrar. :P

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Pequenas conquistas

Identifica praticamente todas as partes da cara e do corpo. Diz pé há muito tempo, por vezes diz mão e ultimamente parece tentar dizer mais algumas partes.

Imita o Sapo. 'Como é que faz o Sapo?', pergunto, e ele faz os gestos do anúncio.

'Canta a Popota, M!' e ele cantarola 'ta-ta ta-ta-ta ta-ta ta-ta-ta'. Também canta os Irmãos Koala e suspeito que aprendeu o 'Pinheirinho' no colégio.

Depois de pedir para o tirar da cadeira do carro (diz qualquer coisa parecida com 'tira'), quer descer dela e saltar do carro sozinho (os meus filhos têm mesmo a mania da independência): conta 'um, dois, três', à sua moda, e salta.

Quantos anos tens? 'Dô!', por vezes acompanhado dos dois dedos indicadores em riste.

Muitas vezes pedimos-lhe que identifique os membros da família. Há dias, por iniciativa dele, identificou todos de seguida, muito satisfeito: mamã, papá, ana (mana/M.), e uma espécie de avô e avó.

Ainda pouco fala e já quer saber ler.:P Estava a M. no banho com ele, a tentar ler o que dizia no sabonete líquido e chega à conclusão que é 'ba-nho!'. O M., quando consegue apanhar a embalagem, imita a irmã, apontando com o dedinho e dizendo 'ba ba ba'. O feito repetiu-se quando a M. estava a ler o título de um livro da Dora. Lá foi ele, a seguir, ler também.